Museu

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Locais de filmagem


Sinopse

Juan e Benjamin são dois jovens sem muito rumo na vida, que têm a mirabolante ideia de roubar o Museu Nacional de Antropologia do México. Em posse de diversas peças antigas, descobrem que vendê-las não é tão simples assim.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

05/11/2018

Em meados dos anos de 1980, um roubo ao Museu Nacional de Antropologia estarreceu o povo mexicano. Na noite de Natal, 140 peças da antiguidade Maia e Inca foram levadas, por, segundo a imprensa, uma gangue internacional especializada em roubo de arte. O escândalo e a surpresa foram ainda maiores quando se descobriu que os ladrões eram dois estudantes jovens e inexperientes – nem sabiam o que fazer com as obras roubadas.
 
Em, Museu, seu segundo longa, o diretor Alonso Ruizpalacios parte desse episódio, revestindo-o de um bom verniz de ficção para contar a história dos dois rapazes, pouco espertos, que fizeram o roubo. Eles são Juan (Gael García Bernal), estudante de medicina veterinária e filho de uma família de classe média, e Benjamin (Leonardo Ortizgris), cuja principal atividade na vida é cuidar do pai, doente terminal. O plano mirabolante é, surpreendentemente, executado com perfeição pela dupla que, com uma fortuna em mãos, não sabe o que fazer com as peças.
 
A questão é os objetos roubados – joias, máscaras e afins – são valiosíssimos mas, ao mesmo tempo invendáveis. Quem vai comprar isso? Mas a dupla jamais pensou nisso, até se dar conta do que fizeram e quão inútil foi todo o empreendimento foi. A narração de Benjamin é melancólica e sublinha exatamente a falta de perspicácia dele e seu colega, espertos e tolos ao mesmo tempo. A comoção com o roubo é geral no país. A mãe de Juan (Lisa Owen) fica indignada e chora; o pai (Alfredo Castro) comenta sobre os criminosos.
 
O plano pode ter surgido quando Juan, nas férias, trabalhou na instituição, e foi repreendido ao tocar as peças sem luvas. A sequência do roubo, central no filme, é, cinematograficamente, desenhada com precisão. Sem qualquer som nesse momento – a ausência de música é uma benção aqui –, a ênfase recai sobre as ações da dupla, e cada movimento conta no sentido de criar tensão. Algum alarme irá disparar? A redoma de vidro que removem vai cair e quebrar? Poderia parar por aí, mas ao diretor interessam também as consequências do roubo – talvez mais do que o ato em si.
 
O roteiro engenhoso – premiado no Festival de Berlim e assinado por Ruizpalacios e Manuel Alcalá – é, ao mesmo tempo, engraçado e sério. As trapalhadas de Juan e Ben têm um tom cômico, assim como a ingenuidade deles, mas, por outro lado, questiona-se a memória coletiva de um país. Antes do roubo, o local vivia vazio, quase ninguém nem se lembrava da existência das peças. Depois, as pessoas lotavam as salas para ver as vitrines vazias. Qual o valor da história de uma nação?, pergunta Museu. Ao mesmo tempo, alto e inestimável.

Alysson Oliveira


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