Todas as canções de amor

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Bruno e Ana mudam-se para um apartamento no centro de São Paulo e encontram uma fita cassete deixada pelos antigos moradores, o casal Clarisse e Daniel. As músicas de amor gravadas vão influenciar a relação do jovem casal.


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Crítica Cineweb

05/11/2018

Todas as canções de amor, ganhador do Prêmio da Crítica na Mostra de São Paulo, é um filme que se constrói por meio de paralelos: dois tempos, dois casais, duas histórias de amor e um único apartamento. Não é muito original, mas também não é fácil de fazer, porque armar paralelos implica forçar na organicidade de narrativas, destacando a repetição de situações. Os romances de Chico (Bruno Gagliasso) e Ana (Marina Ruy Barbosa), no presente, e Clarisse (Luiza Mariani) e Daniel (Julio Andrade), no passado, assim, se entrelaçam por meio de uma fita cassete.
 
Chico e Ana chegam acabaram de casar e chegam ao apartamento no centro de São Paulo, onde encontram um aparelho de som 3 em 1 (algo pré-era digital, acoplando rádio, toca-discos e toca-fitas), e uma fita cassete na qual está escrito "Todas as canções de amor". Ana, que nem sabia o que eram essas coisas, fica encantada com tudo – especialmente com Clarisse e Daniel, que, obviamente, nunca conheceu, e que moraram no mesmo imóvel na década de 1990.
 
Ana é escritora, e seu bloqueio criativo vai embora quando começa a imaginar a história do outro casal. Dirigido por Joana Mariani (documentarista que estreia na ficção), o filme alterna os dois romances, criando reverberações do passado no presente. Cenas e motivos se repetem, mas isso não é de todo orgânico. Pode-se dizer que a Clarisse e o Daniel que vemos na tela são a criação ficcional inventada pela outra personagem. Se for essa a ideia do longa, as coisas não se encaixam tanto assim - como quando eles discutem sobre o seu presente (como privatizações e Plano Real), duas décadas atrás, algo tão distante e misterioso para Ana quando um aparelho de som 3 em 1.
 
O roteiro, assinado por Nina Crintzs, Vera Egito e Roberto Vitorino procura, de forma um tanto insistente, os paralelos entre o começo de um casamento e o fim de outro – e, de longe, as coisas realmente são parecidas, mas isso acaba criando situações pouco fluidas e improváveis no andamento da narrativa, como quando os dois casais, em tempos distintos, jantam no mesmo restaurante, e no ambiente toca a mesma música.
 
A música, como indica o título é uma figura central. Pode-se dizer qualquer coisa da trilha sonora, menos que boa parte do orçamento do longa não pareça ter sido gasta nos direitos autorais de canções (selecionadas por Maria Gadú), incluindo Cazuza, Gal Costa, Gilberto Gil, Kaoma, Leandro e Leonardo e até uma versão de “I will survive”, nas vozes de Liniker, Isa e Nina Maia. São músicas, em sua maioria, bonitas e todas famosas – ainda assim (ou talvez por isso), escolhas um tanto óbvias.
 
Estranhamente, os personagens parecem saídos direto da Vila Madalena para o centro de São Paulo – são deslocados ali. Luiza e Andrade têm mais sorte do que a outra dupla, talvez apenas porque são mais experientes, ou porque seus personagens são mais interessantes mesmo. Tudo no filme exala uma poesia exagerada e claustrofobicamente enclausurada num apartamento (há poucas cenas externas e não aliviam), que sempre parece banhado pela luz do sol que nasce ou se põe de maneira poética para sublinhar os sentimentos das personagens. Tudo é luz e direção de arte – o que faz de Todas as canções de amor um filme que parece saído do Instagram, ou feito para ser exibido ali. Ou, na melhor das intenções, um sintoma do presente.

Alysson Oliveira


Trailer


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