O peso do passado

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Locais de filmagem


Sinopse

Erin Bell é uma detetive de polícia de Los Angeles que, extra-oficialmente, começa a investigar um homicídio. O crime pode estar ligado ao seu passado que tanto a consome.


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Crítica Cineweb

02/01/2019

Em 2003, Nicole Kidman ganhou um Oscar por seu trabalho no filme As horas, em que interpretou a escritora inglesa Virginia Woolf. Muito se falou do nariz protético – retocado com efeitos de computador – que ela usou. No ano seguinte, Charlize Theron encarou uma transformação corporal completa (ou como alguns diziam, “um enfeiamento”) para fazer o papel de uma assassina em Monster, que lhe rendeu a estatueta na mesma categoria. Em O peso do passado, Kidman se equipara à colega e, com ajuda de muita maquiagem, se transforma fisicamente para viver uma detetive de polícia de Los Angeles, consumida pela culpa de uma situação de seu passado.
 
A primeira imagens do longa, dirigido por Karyn Kusama, é o rosto sofrido e manchado de Erin Bell (Kidman), que de seu carro, onde passou a noite, encara o nada com um olhar vago. Esse rosto bonito, “enfeiado” em nome da arte (ou de outro prêmio) será um close recorrente em O peso do passado. A protagonista logo se envolve na investigação de um assassinato à queima-roupa de “um zé ninguém”, conforme registram outros dois detetives que chegaram ao local do crime antes dela, e não gostam nada de sua presença.
 
Escrito por Phil Hay e Matt Manfredi, este é um filme que se revela aos poucos, que oscila entre um suspense ou um policial, sem acertar realmente o tom em nenhum dos dois gêneros. Para isso, vai e volta no tempo, narrando a grande ferida do passado de Erin de maneira intercalada com os poucos dias em que procura um sujeito mafioso, Silas (Toby Kebbell), que voltou a matar – ele é, segundo ela, responsável pelo assassinato da primeira cena.
 
O que justifica as idas e vindas no tempo é a relação que do presente com o passado. O que o filme diz é que a destruição emocional e física de sua protagonista é resultado de anos nos quais passou remoendo uma culpa. Conforme mostram os flashbacks, ainda bem jovem e iniciante no FBI, Erin e um colega, Chris (Sebastian Stan), foram designados para infiltrar-se na gangue de Silas, composta de pessoas da mesma faixa etária deles. Os agentes fingiam ser um casal. No presente, fora as marcas do passado, Erin também precisa lidar com uma filha adolescente, Shelby (Jade Pettyjohn), que odeia a mãe, com quem mal fala.
 
No campo do gênero policial, Kusama mira em algo épico – uma filme grandioso sobre o crime em Los Angeles, mas, a menos que você seja Michael Mann, raramente é uma boa ideia ter uma ambição desse tamanho. Dada a trajetória da protagonista e as intenções aqui (ou, ao menos o que o filme consegue mostrar), uma aproximação de maneira mais intimista poderia ser mais bem resolvida. Nos momentos em que vemos Erin como mãe e mulher são distintos do que aqueles nos quais ela é a força da lei. Kusama, conforme coloca em cena, sabe muito bem o que uma mulher enfrenta no mundo contemporâneo, por isso mesmo, igualá-la a qualquer policial, num filme de gênero, é diminuir a força e o potencial da personagem.
 
Erin, aliás, é uma personagem excelente, mas a narrativa nunca está à sua altura. Confusa e mal resolvida em vários momentos, a trama tenta explorar o lado sórdido do ser humano. Em meio a tanta degeneração moral ao redor, ela (com seus erros do passado e presente) ainda é a figura mais admirável em O peso do passado, por mais que algumas de suas decisões sejam bastante questionáveis.
 
Há ainda a transformação de Kidman que, em cena, sempre foi um tanto camaleoa. Aqui, sua mudança física, na postura, no olhar, nos gestos são muito mais eficientes do que a maquiagem pesada, que nem é muito boa é. É de se perguntar se tal aparato era realmente necessário. A atriz conforme já mostrou, é capaz de se transformar sem esse tipo de estratagema. Fora que esse “enfeiamento” acaba se tornando o centro do filme, na verdade – o que pode fazer sombra à interpretação competente e repleta de nuances. 

Alysson Oliveira


Trailer


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