A mula

Ficha técnica


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Sinopse

Earl Stone é um respeitável plantador de lírios, ex-veterano da Guerra da Coreia. Ele enfrenta a ruína econômica, no entanto, e perde tudo. Aparece, então, uma chance perigosa e muito bem-paga:usar seu carro para transportar partidas de cocaína pertencentes a um cartel.


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Crítica Cineweb

06/02/2019

Sete anos depois de Curvas da Vida, Clint Eastwood volta a atuar num filme dirigido por ele – exercendo seu talento em duas frentes. Ele parte de uma história real, publicada originalmente numa reportagem na revista do jornal The New York Times, para viver na tela a incrível aventura de um vovozinho de 90 anos, veterano da II Guerra Mundial, que se tornou “mula”, transportando drogas para um cartel, o de Sinaloa.
 
Trabalhando o tema com liberdade, num roteiro assinado por Nick Schenk (autor de Gran Torino), Clint assume sua própria idade avançada (88 anos) e visível fragilidade física para encarnar Earl Stone, um ex-veterano, só que da Guerra da Coreia, que teve sucesso como plantador de lírios. Na vida familiar, no entanto, ele foi um desastre como marido de Mary (Dianne Wiest) e pai de Iris (Alison Eastwood, filha do diretor), motivando queixas constantes e, afinal, o rompimento da filha com ele.
 
O conservador Earl não se adapta aos novos tempos de entregas pela internet, o que finalmente leva seu negócio à bancarrota, perdendo seu sítio e tudo o que tem, exceto a velha picape e uns poucos objetos. Seu potencial de passar despercebido nas estradas, por ser notoriamente inofensivo, atrai a atenção do contato de um cartel mexicano. Earl topa levar a primeira “encomenda” sem nem mesmo olhar o que é. O alto faturamento de cada partida o mantém no negócio. Na atividade clandestina, de novo, ele é um sucesso.
 
A renda extra permite a Earl algumas bondades com amigos em necessidade e com a neta, Ginny (Taissa Farmiga) – numa tentativa de compensar, com ela, suas muitas falhas com as outras mulheres da família.
Nas entrelinhas, infiltra-se a ironia típica de qualquer filme de Eastwood, retratando suas dificuldades para enviar mensagens de texto, apesar das pacientes instruções de seus amiguinhos do tráfico, com quem ele mantém uma relação paternal. Neste e em outros sentidos, o filme mostra uma tendência amoral, que pode ser lida como um comentário sóciopolítico. Clint pode ser conservador e Republicano ferrenho, mas não é tosco. Enxerga as contradições de seu país, como a notória discriminação contra latinos e afrodescendentes (embora, no episódio com estes últimos, ele demonstre, mais uma vez, um descompasso, ainda que totalmente coerente com o perfil de seu personagem).
 
De várias maneiras, Clint não deixa de ser humanista na maneira como conduz seu próprio personagem, seja perante a arraia miúda do tráfico. Tanto o velho quantos eles são personagens descartados, sem lugar na busca do sonho americano. Então, na real, fazem o que podem. O que não significa que o filme glamourize a atividade criminosa – seu lado impiedoso e truculento é exposto com todas as letras, na luta pelo poder que abala os líderes (Andy Garcia, Ignacio Serricchio e Clifton Collins Jr.)
 
Fora isso, esta bonança não pode durar para sempre, até porque agentes de combate aos narcóticos estão na cola, como o chefe (Laurence Fishburne) e Colin Bates (Bradley Cooper). É só questão de tempo os dois lados terem um acerto de contas.
 
A idade pesa, no entanto, em outros aspectos – como a visão antiquada e machista que se infiltra em episódios de Earl com garotas de programa, em duas ocasiões. Parece que algo do velho, mas nem sempre tão bom Dirty Harry, fez uma visitinha e não caiu tão bem. Era para ser engraçado, mas não foi. Não chega a estragar o filme, que não é um de seus melhores, mas destoa.

Neusa Barbosa


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