A maldição da freira

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País


Sinopse

Uma dupla de padres vai a uma das Casas de Madalena investigar um estranho fenômeno: imagens da Virgem Maria que choram sangue. No local, no entanto, deparam-se com as crueldades desse e do outro mundo às quais jovens são submetidas.


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Crítica Cineweb

19/02/2019

O título nacional, A maldição da freira, é um tanto enganoso e oportunista, pegando uma carona no sucesso de terror A freira, do ano passado. No fundo, no entanto, essas características fazem justiça ao longa dirigido pela irlandesa Aislinn Clarke, que é, no mínimo, inócuo e pouco criativo – apesar da boa vontade em sugerir um clima de horror e opressão emocional e física.
 
Trabalhando num roteiro escrito por ela e Martin Brennan e Michael B. Jackson, a diretora resgata um episódio triste da história de seu país – que também se repetiu em vários outros –, que ficou conhecido como Asilo de Madalenas. Nestes locais, entre os séculos XVIII e XX, eram abrigadas aquelas a quem se convencionou chamar de “mulheres perdidas”, enfim, que não se encaixavam nos padrões sociais, seja porque eram mães solteiras, rebeldes, com algum problema físico ou mental. A Madalena do nome das tais casas é a figura bíblica, sendo que o nome dela foi escolhido porque se arrependeu dos pecados.
 
Uma dessas casas é o cenário do filme, que é inteiramente como uma filmagem encontrada – à la Bruxa de Blair e Atividade paranormal. Um padre veterano (Lalor Roddy) e outro jovem (Ciaran Flynn) visitam um desses abrigos, nos anos de 1960, onde uma estátua da Virgem Maria chora sangue. Munidos de uma câmera de 16mm, documentarão tudo o que veem para investigar o fenômeno. Embora a madre superiora (Helena Bereen) não goste da presença deles, ela não pode impedi-los, pois a ordem veio do Vaticano, para onde uma denúncia anônima foi enviada.
 
Não demora muito e Clarke apela para todos os clichês do terror – assombrações, barulhos, sustos baratos –, e do subgênero de imagens encontradas, embora isso seja trabalhado de uma forma que não faz muito sentido. Quem juntou essas fitas em forma de narrativa? Como o jovem padre consegue manter o foco e o enquadramento o tempo todo – mesmo em situações fisicamente desconfortáveis? Nada disso seria um grande problema se o filme se sustentasse. Uma chance de se fazer um horror fora da engrenagem de Hollywood é desperdiçada aqui. As próprias Casas de Madalenas, onde as mulheres sofreram horrores nas mãos de religiosas, é um mote convidativo para um filme de terror que teria muito a dizer – especialmente sobre a condição da mulher no país – mas tudo é em vão neste longa. Uma maneira melhor de aproveitar o tempo é vendo Em nome de Deus, de Peter Mullan, que tem o mesmo cenário e, ao tratar com realismo um episódio tão doloroso, é mais assustador do que A maldição da freira.   

Alysson Oliveira


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