O silêncio dos outros

Ficha técnica

  • Nome: O silêncio dos outros
  • Nome Original: El silencio de otros
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Espanha
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 96 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Almudena Carracedo, Bahar Pars
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Ex-presos políticos torturados, parentes de pessoas assassinadas e outras vítimas do regime ditatorial franquista na Espanha (1936-1975) buscam que a justiça seja feita. Este documentário acompanha essa luta ao longo de seis anos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/02/2019

O silêncio dos outros, de Almudena Carracedo e Robert Bahar, é um documentário relevante por diversos motivos. Especialmente, por mostrar quão importante é sempre trazer à tona as feridas da história – mesmo aquelas que se consideram cicatrizadas. Produzido pelos irmãos Pedro e Augustín Almodóvar, o filme tem como tema a ditadura franquista, que durou quase 40 anos na Espanha.
 
Com um longo projeto de pesquisa e filmagem – a filmagem começou em 2010 e traz imagens de até 2017 –, o documentário resgata a história de algumas vítimas e parentes de outras que estão em busca de justiça contra as torturas e assassinatos cometidos pelo regime. É uma luta que atravessa décadas, às vezes, até gerações, passando de mãe para filha. Carracedo e Bahar começam com uma contextualização histórica sobre as condições, internas e externas, que permitiram a ascensão do general Francisco Franco ao poder.
 
Se, formalmente, o filme nunca supera os moldes de uma longa reportagem, o seu conteúdo evidencia o seu grande valor. As trajetórias individuais dão a dimensão ampla dos horrores de uma ditadura: uma mulher de 80 anos que atravessa o mundo em busca do corpo de seu pai, enterrado numa vala comum; outra octogenária, cuja mãe foi uma das primeiras assassinadas depois da Guerra Civil, atravessa uma rodovia construída sobre a vala coletiva onde o corpo dela foi jogado, para colocar um buquê de flores no guard rail; um homem vive a poucos quarteirões do seu torturador, conhecido na época como Billy, o garoto; uma outra mulher descobre que seu bebê não morreu no parto, mas que foi vítima de um esquema de sequestro de recém-nascidos de suas mães solteiras.
 
Essas são algumas das histórias que constroem a narrativa ampla de O silêncio dos outros. Dessa forma, a dupla de diretores sai do plano abstrato do levantamento de números de torturados e assassinados, dando um rosto a essas vítimas. O efeito é devastador porque exatamente são pessoas clamando por justiça, tentando levar uma vida normal num país onde milhares saem às ruas para comemorar o dia do nascimento de um ditador e carregam cartazes onde se lê “Make Spain great again”.
 
A construção das narrativas pessoais aqui se conecta com a histórico-factual. Em 1975, com a morte de Franco, a Espanha se torna uma democracia e a Lei da Anistia, de 1977, tanto libertou os presos políticos quanto perdoou os torturadores e afins do regime ditatorial. Foi necessária uma espécie de amnésia coletiva que se espalhou por quatro décadas – o assunto nem é tocado em escolas, por exemplo –, seguindo em frente com algo conhecido como "o pacto do esquecimento".
 
Mas o silêncio não é eterno. Nos últimos anos, um grupo de vítimas da ditadura tenta encontrar uma maneira de contornar a Lei da Anistia e levar os torturadores a um julgamento. O filme acompanha essa jornada longa e dolorosa, composta de vitórias pequenas e importantes, bem como  várias derrotas e frustrações. Se na Espanha os requerentes – um número que cresce ao longo dos anos que o filme acompanha – não conseguem entrar na justiça, é na Argentina que encontram a juíza Maria Servini, que vê nos atos um crime contra a humanidade - e esses não prescrevem.
 
Carracedo e Bahar fazem um trabalho de pesquisa exemplar, com profundo respeito pelo material humano, tanto quanto sua indignação pela feridas abertas da Espanha. O resultado é um documentário com a urgência da história, um filme que joga uma luz necessária no passado, também iluminando um momento de obscurantismo que o mundo atravessa no presente. 

Alysson Oliveira


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