Diários de classe

Ficha técnica

  • Nome: Diários de classe
  • Nome Original: Diários de classe
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 72 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Maria Carolina da Silva, Igor Souza
  • Elenco:

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País


Sinopse

Uma presidiária, uma doméstica e uma jovem transgênero frequentam aulas de alfabetização para adultos em locais diferentes de Salvador.


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Crítica Cineweb

27/02/2019

Primeiro longa dos diretores Maria Carolina e Igor Souza, o documentário baiano Diários de Classe condensa de forma contundente o estado de emergência da questão social, racial e de gênero no País, a partir de três figuras femininas muito especiais, particularmente bem escolhidas. Cada uma delas frequenta aulas de alfabetização para adultos num local diferente de Salvador.
 
Vânia é uma detenta, presa há 5 meses pela posse de uma quantidade mínima de drogas, tentando compreender os meandros de seu processo sem acesso a assistência judiciária. Maria José é uma líder comunitária e sindical da categoria das empregadas domésticas. Tiffany, uma adolescente trans, moradora de um abrigo. Todas elas negras, chegando à idade adulta sem escolarização adequada, privadas de melhores condições de ocupação.
 
Por estar presa, Vânia frequenta a aula no próprio presídio, numa situação em que a professora, que é obrigada a reportar os mínimos incidentes, torna-se assistente policial, psicóloga, mediadora de conflitos, além de propriamente educadora. Não é nada fácil combinar todos estes papeis, o que também expõe os desafios da posição dos professores numa sociedade em que eles frequentemente não são valorizados o bastante – para dizer o mínimo.
Maria José, por sua vez, é aluna de uma escola pública na periferia, lidando com obstáculos como a violência – a região, não raro, é cenário de tiroteios – e a falta de uma creche para sua filha, ainda criança. Como resultado, ela costuma trazer a menina às aulas, onde a pequena se torna uma espécie de ouvinte e mascote. Felizmente, a escola tem abertura para entender esta dificuldade da aluna e não rejeitar sua necessidade, permitindo que ela continue a frequentar as aulas.
 
Tiffany encontra no abrigo um lar substituto ao seu, que rejeitou sua nova identidade sexual, procurando enfrentar uma complexa gama de problemas, fora a falta de escolarização. Sua juventude é, ao mesmo tempo, fator de vulnerabilidade, pela inexperiência, e trunfo para ter tempo de superação. Nem por isso seus desafios são menores do que as outras personagens.  
 
Por tudo isso, o documentário é para se assistir com nó na garganta, revolta e, ao mesmo tempo, uma admiração comovida por essas mulheres tão diferentes, unidas pelas carências e humanidade em crise e seu grito por existir com dignidade. Um filme muito forte, que denuncia a falência do Estado brasileiro, de costas para necessidades básicas da maioria de seus cidadãos, que lutam com as armas que podem – e é impressionante a sua resistência, diante de condições tão desiguais.

Neusa Barbosa


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