As filhas do fogo

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País


Sinopse

Uma nadadora reencontra sua namorada na Terra do Fogo, na Argentina, e iniciam uma viagem pela região Antártica, incorporando outras mulheres que encontram no caminho, iniciando um relacionamento poliamoroso em ritmo de roadmovie.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/02/2019

Premiado no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici), As Filhas do Fogo é um road movie porno-lesbo-feminista e essa rotulação não o limita, pois a própria diretora, a argentina Albertina Carri, concorda a classificação e criou sua obra com essa intenção. Mas, atenção, as cenas de sexo explícito entre mulheres (e são muitas - mulheres e cenas de sexo), exibidas durante cerca de duas horas de projeção, não tornam o filme um exercício narcisista ou voyeurista da diretora e seus atores. O objetivo é transformar corpos em território e paisagem diante da câmera.
 
Essa, aliás, é a definição utilizada por uma das protagonistas que, juntamente com sua namorada, pretende realizar um filme pornográfico durante uma viagem que fazem de carro pela Terra do Fogo, no extremo gélido da Argentina, à qual se juntam outras mulheres que encontram no caminho. Todas libertárias e desejosas de unir-se ao casal em uma relação poliamorosa.

Por onde passam, seus corpos interagem com a paisagem: mergulhos em lagos, caminhadas por estradas de terra, descanso em campos floridos - locais onde se relacionam sexualmente, numa atmosfera idílica, envolvente e altamente erótica. A cada parada, um momento de contemplação e prazer, com direito à leitura de trechos do roteiro que será - ou está - filmado. O filme visto é a representação do que pretendem realizar, assumidamente pornográfico.

As experiências com os poucos homens que encontram no caminho não são nada agradáveis, mas servem para fortalecer os laços que as juntaram e as unem. São ocasiões em que demonstram sua força e fazem valer sua opinião.

A forma catártica e anárquica em que o filme é conduzido é sua força, mas também sua fragilidade. A duração se faz sentir, com as cenas de sexo filmadas em tempo quase real, de forma exaustiva, com as personagens falando de si para si mesmas. Mas não deixa de ser uma forma instigante de questionar, com o olhar feminino e feminista, as fronteiras que demarcam o terreno onde termina o erotismo e começa a pornografia, ignorando um habitual e confortável território masculino.

Luiz Vita


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