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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Adelaide Wilson sofreu um grave trauma de infância, quando se perdeu dos pais e viveu uma experiência assustadora dentro de um suposto brinquedo. Anos depois, casada e mãe de dois adolescentes, ela volta à região e fica inquieta. Uma noite, aparecem na porta de sua casa quatro pessoas que são fisicamente idênticos a ela, seu marido e filhos e vêm com sede de uma misteriosa vingança.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/02/2019

Imagine que você tem um duplo – um outro você, não simplesmente sua projeção num espelho. E imagine que um dia você se verá frente a frente com ele. Não só você, mas todos os membros de sua família, que também terão suas respectivas duplicatas. E elas não são pacíficas. Têm sede de uma misteriosa e implacável revanche.
 
Esta é a provocação contida no novo filme do diretor e roteirista Jordan Peele (Corra!), sugestivamente chamado de Nós - um título que indica que não se trata de monstros alienígenas.
 
Está dado o cenário em que Peele constrói mais uma fantasia política sinistra, temperada com toques de humor negro e aberta a interpretações de vários naipes. Para isso, o diretor solicita o engajamento do público, semeando pistas e detalhes, compondo climas, acelerando as emoções.
 
Nada disso funcionaria sem intérpretes à altura e Peele acerta na mosca ao entregar a Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de coadjuvante por 12 Anos de Escravidão, o papel da protagonista Adelaide Wilson, uma mãe-coragem que tenta proteger seus filhos, os adolescentes Zora (Shahadi Wright Joseph) e Jason (Evan Alex), ao lado do marido, Gabe (Winston Duke), ao mesmo tempo que encara seu temível alterego, Red.
 
O fator de tensão extra é que Adelaide não tem como garantir pessoalmente a vida dos filhos todo o tempo. Numa determinada altura, cada um dos membros da família vai ter que enfrentar por si mesmo sua assustadora versão alternativa, todas elas envergando macacões vermelhos, luvas e uma apavorante tesoura nas mãos.
 
Peele é um assumido cinéfilo, capaz de espalhar detalhes ao longo do caminho que reforçam a associação com outros filmes - e isto começa com uma camiseta de Thriller, envergada pela Adelaide ainda criança (a excelente estreante Madison Curry), passando pelos títulos dos vídeos que aparecem na introdução da história, ambientada em 1986, e afinidades como Além da Imaginação, Invasores de Corpos e até o universo de David Lynch. Uma propaganda vista na televisão, “Hands Across America”, antecipa uma outra imagem que será potente no filme.
 
Peele não é diretor dado a meros sustinhos. Do que ele trata aqui é de uma distopia social, em que entra o componente racial, tão essencial em Corra!, aqui delineado de outra maneira e não sendo o assunto principal. Inevitavelmente há cenas violentas, mas nunca aquele gore gratuito de tantas produções de terror por aí. Há uma inteligência sutil e perversa permeando as situações vividas pela família principal e também outra família, de seus amigos brancos, os Tyler - com Elisabeth Moss, assídua frequentadora de distopias (O Conto da Aia), interpretando a matriarca, Kitty.

A inquietação que percorre o espectador que se ligar na história - identificando-se, portanto - passa também pela questão dos limites. Até onde se pode ir, em termos de violência, quando se é acossado neste nível de intimidação por alguém que é tão parecido conosco mesmo, como se estivéssemos lutando contra o espelho? O cinema registra muitas histórias em torno do tema dos duplos, com sósias e gêmeos de naturezas distintas em guerra. Nós é sobre isso. Sobre quem somos, quem pensamos ser e como reagimos quando confrontados por alguém que é como nós, mas não se desenvolveu sob as mesmas condições, sem com isso perder uma espécie de parentesco conosco. Metáforas para isso não faltam, num mundo real assolado por guerras, crises de imigração, refugiados, desigualdade social e econômica e terrorismo. Façam suas apostas.

Neusa Barbosa


Trailer


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