Elegia de um crime

Ficha técnica

  • Nome: Elegia de um crime
  • Nome Original: Elegia de um crime
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 92 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Cristiano Burlan
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Em 2011, Isabel Burlan da Silva foi assassinada por seu parceiro. Sete anos depois, seu filho mais velho, o cineasta Cristiano Burlan, refaz sua trajetória, recuperando suas memórias e procurando pistas do assassino foragido.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/03/2019

Reconstituir a maior tragédia de sua vida – o assassinato da mãe – é o cerne deste doloroso e intenso documentário, em que o diretor Cristiano Burlan encerra sua chamada “trilogia do luto”. Fazem parte dela Construção (2006), que narra a morte de seu pai, e Mataram meu irmão (2013), grande vencedor do Festival É Tudo Verdade daquele ano, que recupera a trajetória acidentada de seu irmão, Rafael.  
 
Burlan é, com todas as letras, um sobrevivente, e não um qualquer. É alguém que soube usar a impressionante profusão de tragédias familiares em prol da construção de uma densa obra cinematográfica, compondo uma dilacerante e emotiva forma pessoal de biografia.
 
Apesar da contundência, inevitável pelos detalhes de um feminicídio ainda impune depois de 8 anos, Elegia de um crime é pontuado por delicadezas. É quase estranho constatar que Cristiano, apesar de tantas perdas, não perde de vista a ternura, que injeta cada passo da reconstrução do perfil de sua mãe, Isabel Burlan da Silva.
 
Conversas com parentes resgatam fotos e lembranças, fragmentos de uma existência simples de mulher, uma jovem bonita, mãe de quatro filhos, desafogando talvez na maternidade os amores infelizes com os homens – junto a quem encontrou violência mais de uma vez, inclusive no episódio que custou sua vida.
 
Elegia de um crime não é um thriller, nem pretende sê-lo. Desde o começo, afinal, sabe-se quem morreu e quem matou. O assassino, cujo nome e foto o filme não esconde, está foragido desde 2011, ano da morte de Isabel, em Uberlândia. Mais uma constatação de como a vida das mulheres segue particularmente ameaçada, num dos países mais violentos contra elas no mundo.
 
Os climas se alternam na narrativa, intercalando o afeto das recordações – particularmente as lembranças da irmã do diretor - com algum suspense – na busca do assassino. E também envereda numa oportuna denúncia do sensacionalismo do jornalismo policial. São altamente reveladoras as sequências com a repórter televisiva que cobriu o crime em 2011 e se dispõe a acompanhar o diretor numa nova investigação sobre o paradeiro do matador foragido. Tal como acontecia em Mataram meu irmão, Burlan contrapõe a brutalidade despersonalizante dos inquéritos com a individualidade das vítimas.
 
O diretor se expõe, e não pouco, nesta escavação em carne viva de uma história familiar tão aterradora, atravessada ainda pelo envolvimento de seus três irmãos na criminalidade (inclusive Rafael, personagem de Mataram meu irmão). Mas consegue, nesta exposição, trazer seu relato para mais perto de uma realidade com nuances e nunca um espetáculo, dentro do coração das trevas da condição humana.

Neusa Barbosa


Trailer


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