O sol também é uma estrela

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País


Sinopse

Natasha Kingsley está correndo contra o tempo. Ela tem apenas algumas horas para impedir que sua família seja deportada para a Jamaica, e enquanto espera uma reunião com um advogado que pode a ajudar, conhece Daniel Bae, por quem se apaixona.


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Crítica Cineweb

15/05/2019

No panorama atual dos romances juvenis, O sol também é uma estrela é uma grata surpresa que cresce muito quando comparado aos recentes e péssimos After, A cinco passos de vocês e afins. O que primeiro se sobressai aqui é a dupla de protagonistas – interpretada por um par de atores carismáticos, talentosos e com química. Yara Shahidi é Natasha Kingsley; Charles Melton é Daniel Bae – que se conhecem, por acaso, num dia crucial de suas vidas.
 
Natasha é de uma família de imigrantes jamaicanos prestes a ser deportada. A garota tem apenas um dia para evitar isso, quando lhe é dado o contato de um advogado especializado na questão (John Leguizamo). Mesmo de última hora, ela consegue marcar uma reunião, mas quando chega ao escritório, fica sabendo que o encontro será adiado em algumas horas por que ele sofreu um acidente de bicicleta.
 
O filme, baseado num romance de Nicola Yoon (Tudo e todas as coisas), com roteiro de Tracy Oliver, joga com o acaso e o destino o tempo todo. Se não houvesse o atraso na reunião, Natasha não iria passar a tarde com Daniel, andando por Nova York esperando dar a hora – ir para casa e voltar seria perda de tempo. O rapaz, por sua vez, é filho de imigrantes sul-coreanos, e está sendo pressionado para entrar numa faculdade de medicina, pois “escolheu” a profissão quando ainda era bebe.
 
A questão da identidade é um tema forte no filme. O que faz de nós o que nós somos? A família ou a pátria? Ou uma combinação das duas? É uma questão bastante em voga que permeia todo o filme, e o fato da dupla central ser composta por jovens prestes a entrar na vida adulta joga um peso sobre eles. Natasha não quer voltar para a Jamaica – de onde saiu quando ainda era pequena – porque sua vida toda está em Nova York. Mas talvez apenas voltando para lá, ela possa se encontrar consigo mesma para seguir em frente.
 
O sol também é uma estrela é dirigido por Ry Russo-Young, que, alguns anos atrás, fez Antes que eu vá, outro filme sobre adolescentes e seu universo, mas que não é nenhum pouco tolo. A diretora tem talento e sensibilidade para lidar com esse mundo, com personagens dessa faixa etária. Não é difícil para o cinema romantizar a adolescência, transformar problemas reais em problemas poéticos (vide os filmes com jovens doentes), o que não acontece aqui. As questões sociais são tratadas com sinceridade e honestidade, dando mais nuances e complexidade à dupla de protagonistas.
 
Ajuda muito o fato de que Shahidi e Melton serem talentosos e comprometidos com Natasha e Daniel, trazendo uma profunda humanidade a eles. A personagem feminina é especialmente complexa em seu desespero em encontrar uma maneira de sua família não ser deportada, e, em meio a tudo isso, descobre o amor. Um amor que está com as horas contadas.
 
O sol também é uma estrela tem algo de fábula melancólica na qual a mocinha, cheia de atitude, tem de salvar sua família. É um filme, no fundo, otimista, mas, na medida do possível, realista. O final feliz pode até vir, mas é a duras penas. Talvez somente assim, seja mais bem aproveitado.

Alysson Oliveira


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