Memórias da dor

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País


Sinopse

Na França de 1944, Robert Antelme é uma das grandes figuras da Resistência, mas a sua prisão e deportação levam a sua mulher, Marguerite, ao desespero. Quando ela conhece um agente francês da Gestapo começa uma relação ambígua com ele.


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Crítica Cineweb

29/05/2019

Traduzir a escrita de Marguerite Duras para o cinema pode ser um esforço em vão. Os romances e contos da escritora francesa são intrincados em sua construção combinando memória, divagações com uma narrativa tênue. Mesmo com esse desafio, vários tentaram a adaptar com resultados nem sempre positivos – o mais notório, e possivelmente um dos mais equivocados, é O amante, de Jean Jacques Annaud, de 1991. O resultado desagradou tanto a autora, que ela publicou um outro livro, O amante da China do Norte, contando a mesma história de outra maneira após o lançamento do filme.
 
Ao adaptar A dor, de 1984, Emmanuel Finkiel, que assina roteiro e direção, se aproxima de forma respeitosa sem ser demasiadamente reverente em seu longa Memórias da dor. O resultado é, ao mesmo tempo, fiel e infiel à obra e ao espírito de Duras. Acompanha-se uma linha narrativa bastante clara que é entrecortada por divagações da protagonista, a escritora Marguerite, interpretada por Mélanie Thierry – uma verdadeira força da natureza rodeada de melancolia aqui.
 
Há um esforço do filme na recriação de um momento histórico, sem transformar momento histórico e sua recriação visual num fetiche. O marido de Marguerite, Robert Antelme (Emmanuel Bourdieu), membro da Resistência, é preso e mandado para Dachau. O livro, assim como, em certa medida o filme, é sobre a espera – a mulher esperando pelo marido que um dia talvez volte. Os dois são também uma meditação sobre a guerra, o heroísmo e a culpa, embora nesse quesito Finkiel tenha um pouco de dedos na sua adaptação. Duras fala do Holocausto como um “crime cometido por todo mundo”, o longa não vai tão longe.
 
Nas últimas semanas da ocupação alemã, a protagonista se envolve com um colaborador dos nazistas, Rabier (Benoit Magimel), com quem se encontra diversas vezes na tentativa de conseguir informações sobre o paradeiro de seu marido. Há um grande dilema moral em Marguerite, mas também há o desespero em saber de Antelme.
 
Estruturando a narrativa em dois momentos que se embaralham e, propositalmente, confundem, às vezes, Finkle busca uma linguagem cinematográfica que capture a literária da escritora, sem, é claro, transformar o filme numa espécie de ilustração do livro. Os momentos pré-Libertação, um grupo de membros da Resistência acompanham os passos de Marguerite e o envolvimento dela com Rabier – entre essas pessoas está Dionys (Benjamin Biolay), com quem anos mais tarde a escritora irá se envolver e ter um filho. Com o fim da Ocupação, as coisas se transformam e à protagonista, só resta esperar.
 
A espera também envolve uma conhecida da protagonista, interpretada por Shulamit Adar, que espera a volta de sua filha de um campo de concentração. É nos laços criados entre as duas mulheres que Memória da dor encontra uma força peculiar. E no compartilhamento da dor entre elas, e nos resultados que cada uma irá enfrentar que o longa explora o aspecto comunal da dor e da culpa, reverberando a frase de Duras de que todos somos culpados, de uma forma ou de outra. 

Alysson Oliveira


Trailer


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