Greta

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Sinopse

Enfermeiro veterano de um hospital, Pedro está desesperado para arrumar um leito para sua amiga Daniela, que está gravemente doente. Ele vê como única saída tirar secretamente de lá um suspeito de crime, que estava algemado. Pedro o leva para sua casa e a situação se complica.


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Crítica Cineweb

01/10/2019

Inspirado na peça Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá, de Fernando Melo, despindo a história do traço cômico original, o diretor e roteirista Armando Praça compõe em Greta um contido melodrama em torno de três personagens, movendo-se num universo eventualmente sórdido, mas permeado por lampejos de afeto e fantasia - como a própria menção à atriz sueca Greta Garbo deixa transpirar.
 
Premiado como melhor ator no Cine Ceará, em agosto, Marco Nanini entrega uma interpretação visceral do enfermeiro Pedro, homem idoso e solitário. A partir do dilema para encontrar rapidamente um leito no hospital para sua única amiga gravemente doente, a transexual Daniela (Denise Weinberg), Pedro joga uma cartada de grande risco - liberta um criminoso ferido, Jean (Demick Lopes), que está algemado na cama, e o esconde em sua casa.
 
A câmera discreta de Ivo Lopes Araújo compõe o cenário um tanto claustrofóbico em que se movem os personagens, construindo a intimidade tensa, às vezes provocadora entre Pedro e Jean, que se empenham num duelo físico e emocional crescente.
 
É uma atmosfera que, por vezes, também parece teatral essa que se cria entre o apartamento de Pedro, o hospital, o apartamento de Daniela e o bar onde ela canta - todos lugares onde não se infiltra a luz do sol. São seres noturnos, um tanto clandestinos, aos quais se abre uma oportunidade de expressão que sobressai sua humanidade, ainda que contraditória, buscando uma empatia por existências no contra-luz, que procuram afeto nas frestas, na fricção.
Denise Weinberg, interpretando uma personagem trans, e Greta Starr, uma mulher cis, protagonizam um instigante jogo de inversões mas que é sutil e natural o suficiente para não chamar a atenção sobre si mesmo. As duas são o que são, e basta.
 
Não é simples abordar as transgressões implícitas nas trajetórias de Pedro e Jean, mas Praça caminha bem no sentido de resguardar suas criaturas de julgamentos apressados sem compactuar, com isso, de todas as suas escolhas. Há uma alternância de poderes na evolução do relacionamento entre Jean e Pedro que aprofunda, igualmente, esta procura de um território de empatia com a necessária dose de distanciamento. Greta é um filme profundo, grave, até triste, mas impregnado de uma dignidade que é sua proposta de existência.
 
No Cine Ceará, Greta venceu  outros dois prêmios, como melhor longa e melhor direção. 



Neusa Barbosa


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