Ford vs Ferrari

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Sinopse

Decidindo entrar na disputa das pistas de automobilismo com a italiana Ferrari, nos anos 1960, o empresário Henry Ford II conta com o talento de Carroll Shelby, um ex-corredor que passou a designer de carros, e Ken Miles, um piloto impetuoso e veloz.


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Crítica Cineweb

05/11/2019

Mesmo quem não gosta de automobilismo terá atrações com que se conectar em Ford vs Ferrari, o filme de James Mangold que recupera a disputa a que se lançou a Ford, em meados dos anos 1960, para quebrar o domínio da italiana Ferrari nas pistas.
 
O filme é vibrante nas atuações de Matt Damon e Christian Bale, nos papeis de Carroll Shelby e Ken Miles, duas lendas do automobilismo, respectivamente, o designer e o piloto que realizaram o projeto da Ford. É, com toda certeza, aquele tipo de grande espetáculo que sonha com indicações ao Oscar 2020, especialmente nos quesitos de atuação e técnicos. Ainda que se reconheça que o roteiro, assinado por Jezz Butterworth, John Henry Butterworth e Jason Keller, ganharia pontos se desenhasse com mais nuances o time italiano – o comendatore Enzo Ferrari (Remo Girone) certamente era uma figura muito mais complexa do que a retratada aqui, numa caracterização de mafioso de segunda classe. Evidentemente, o elemento patriótico entrou em cena nesta composição, ainda que os executivos norte-americanos, tendo o empresário Henry Ford II (Tracy Letts) à frente, não tenham sido embelezados em seu caráter e postura, muito pelo contrário.
 
De todo modo, a opção é fechar o foco nos sonhadores, ou seja Carroll Shelby, um talentoso piloto que chegou a vencer as 24 horas de Le Mans em 1959 – a bordo de um Aston Martin - mas teve que desistir da direção por conta de problemas cardíacos. Ele projeta sua paixão pela velocidade sonhando em fazer um carro competitivo nas pistas, para o que ele consegue seduzir o empresário Ford – que, até ali, contentava-se em ser bem-sucedido vendendo seus carros.
 
O piloto, Ken Miles, um britânico que lutou na II Guerra Mundial, é o anti-heroi típico. Vive modestamente em sua oficina mecânica, com a mulher, Mollie (Caitriona Balfe), e o filho, Peter (Noah Jupe), compondo aquele núcleo que projeta o filme para plateias mais amplas do que os aficionados de corridas de automóveis – que, como se espera, terão muito o que ver, em pegas sensacionais, já que Miles é o tipo do piloto que não acredita em limites, nem moderação.
 
Damon e Bale mantém um bom duelo nesta dupla complementar de opostos que, nem pelo autocontrole de Shelby deixará de ir às vias de fato pelo menos uma vez. Esta, aliás, não é a única nem a mais acirrada disputa dentro do filme – a mais perversa envolve os executivos da Ford, como o diretor de marketing Leo Beebe (Josh Lucas), entrando no caminho de Shelby e Miles. Não raro, estas maquinações corporativas roubam energia do filme, enxertando-lhe uma duração excessiva em sequências que não o merecem.
 
As sequências nas pistas, culminando na prova de Le Mans 1966, onde se dá o grande confronto entre Ford e Ferrari, não devem decepcionar os fãs que acompanham esse tipo de prova na TV. Diretor experiente e versátil, assinando filmes tão diferentes quanto Garota, Interrompida (1999) quanto Wolverine: Imortal (2013) e Logan (2017), Mangold demonstra boa forma em sua condução, podendo também credenciar-se a uma indicação ao Oscar.

Neusa Barbosa


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