Adoráveis mulheres

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Sinopse

Por volta de 1860, época da Guerra Civil, a família March enfrenta dificuldades, já que seu patriarca foi lutar no front. Mas nada abala a união entre a mãe, Marmee, e as quatro irmãs, Meg, Jo, Beth e Amy. Jo, que quer ser escritora, resiste à ideia do casamento obrigatório para toda mulher.


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Crítica Cineweb

06/11/2019

Aos 36 anos, a diretora Greta Gerwig encara o desafio de sua vida ao adaptar Mulherzinhas, o clássico romance de formação da escritora Louisa May Alcott (1832-1888), transformando-o no filme Adoráveis Mulheres, uma história ao mesmo tempo fiel às suas origens e sintonizada com a sensibilidade contemporânea para o tema do empoderamento feminino.
 
Em seu segundo longa solo - o primeiro foi Lady Bird - A Hora de Voar (2017), que lhe valeu duas indicações ao Oscar, direção e roteiro -, Greta procura assumir seu próprio tom, instalando sua nota autoral na cronologia da narrativa. O que no livro é contado em linha reta aqui se move em idas e vindas entre passado e presente, em torno de 1860, apoiando-se na montagem de Nick Houy. Este é o grande desafio para a diretora e também para o espectador, com cuja atenção e curiosidade ela precisa contar para que se complete a adesão emocional a este conjunto admirável de personagens.
 
O núcleo central é formado pelas quatro irmãs da família March, Meg (Emma Watson), Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (Florence Pugh), cujos destinos lidam com o reduzido cardápio de escolhas disponíveis para as mulheres do século XIX. Uma amostra deste panorama está na sugestiva conversa da primeira cena, entre a jovem escritora Jo e um potencial editor (Tracy Letts), que determina que, em histórias sobre mulheres, estas inapelavelmente têm que terminar em casamento ou morte.
 
Não é nada disso que está na cabeça de Jo, que sonha com uma carreira literária e não pensa em casamento nem para suas personagens ou para ela mesma - o que não alarma sua mãe progressista, Marmee (Laura Dern), mas perturba sua tia rica (Meryl Streep), determinada em levar as meninas March a um casamento rico que as livre da pobreza do pequeno clã, que inclui ainda o pai March (Bob Odenkirk), no momento lutando na Guerra Civil.  .
 
Jo, indiscutivelmente, é a alma do filme, com sua energia contagiante, especialmente por sua maior independência para arriscar-se fora do núcleo protegido de seu lar. É ela particularmente quem sustenta as interações com personagens masculinos importantes, caso do vizinho Laurie (Timothée Chalamet) e de um hóspede da mesma pensão onde ela temporariamente vive, Friedrich Baher (Louis Garrel). Mesmo coadjuvantes, os dois vão encarnar, para ela, o significado de ter ou não um relacionamento que pode levar ao casamento que ela tanto rejeita, particularmente pelo peso que acarreta na vida de uma mulher de seu tempo - e ela não quer abrir mão da própria expressão profissional.
 
Injetando, nestas quatro irmãs bastante unidas, nuances de suas diferenças de atitude diante dos homens e da vida, o filme dá conta de uma formidável gama de assuntos, como questões de família, gênero, classe, conservadorismo e progressismo, já que se vive num tempo bastante polarizado pela Guerra Civil, que quase rasgou ao meio os EUA. Tudo isso é feito com uma considerável leveza de tom, sem perder de vista a composição da intimidade da família March e seus amigos, vizinhos e agregados, apelando ao engajamento emocional do público em torno deles sem recorrer a truques piegas. Até a trilha sonora, composta pelo francês Alexandre Desplat, é usada com adequação. 
 
Indicado a 10 Oscars, o filme venceu apenas o de melhor figurino.

Neusa Barbosa


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