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País


Sinopse

Jovem israelense farto da vida militar desembarca em Paris, sem recursos. Invadindo um apartamento, sofre com o frio e quase morre de hipotermia. É salvo pelo casal de namorados que mora ao lado, com quem se envolve numa série de experiências.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/11/2019

Vencedora do Urso de Ouro e do Prêmio da Fipresci (Federação Internacional dos Críticos) no Festival de Berlim, a coprodução entre Israel, França e Alemanha é o terceiro longa do diretor israelense Nadav Lapid (A professora do jardim da infância). De muitas maneiras, é um filme que tira o espectador de sua zona de conforto, levando-o a compartilhar a instabilidade de seu protagonista, Yoav (Tom Mercier). 
 
Israelense, ele deixou para trás seu país e sua guerra permanente para tentar ajustar-se à França, procurando apagar seu passado e identidade - ele acaba de cumprir o serviço militar.  Para começar, ele se recusa a falar hebraico. Obcecado por um dicionário de francês, de onde recolhe incessantemente novas palavras, ele chega a Paris como um aparente fugitivo, entrando num apartamento vazio de um prédio elegante depois de recolher a chave debaixo de um tapete. 
 
A narrativa não esclarece muito sobre este personagem, como ele chegou ali, se aquele apartamento tem alguma ligação com ele. O incidente que desencadeia o resto da história tem a ver com o roubo de todas as suas roupas, o que o deixa à beira da hipotermia. Seus salvadores são os vizinhos, Émile (Quentin Dolmaire) e Caroline (Louise Chevillotte), um jovem casal sem problemas financeiros. Émile sonha tornar-se escritor, mas as histórias inusitadas contadas por Yoav dão a largada numa mudança de rumos.
 
A maneira fluida como se relacionam estes personagens é uma homenagem sutil e inequívoca ao espírito dos filmes do jovem Jean-Luc Godard, em sua instável procura de existir - com componentes mais agudos em Yoav, devido a suas conflitantes raízes, que o conectam com o militarismo de sua nação e uma história pessoal e familiar mal-resolvida.
 
Não é simples ou natural empatizar com qualquer um destes jovens em turbilhão. Yoav, que está presente na maioria das cenas, muitas delas vividas nas ruas de Paris, é um feixe de nervos expostos a ponto de explodir.
 
Evidentemente, há todo um discurso simbólico neste comportamento, expondo as contradições entre o militarismo impregnado de religião que Yoav traz na bagagem israelense e a utopia que ele enxerga numa França republicanamente laica. É nesta fricção que o filme encontra seu maior sentido.

Neusa Barbosa


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