Dois Papas

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de ter sido bem votado na eleição que colocou o conservador cardeal alemão Joseph Ratizinger à frente do Vaticano, como papa Bento XVI, o argentino Jorge Bergoglio tenta aposentar-se. Mas, para isso, precisa da permissão do papa, que não responde às suas cartas. Pensando convencê-lo, Bergoglio vai a Roma. Os dois têm, então, um encontro que se torna um duelo em torno de visões muito diferentes do mundo e da Igreja.


Extras

Em exibição na Netflix.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

03/12/2019

Já exibido no Festival de Toronto e atração de encerramento da Mostra de S. Paulo, antes de estrear na Netflix, Dois Papas, o novo longa do diretor brasileiro Fernando Meirelles, faz uma carreira pelos cinemas - assim como aconteceu recentemente com O Irlandês, de Martin Scorsese, de olho nas indicações ao Oscar 2020. No ano passado, o aceno à tela grande da gigante provedora em streaming foi mais do que compensador para Roma, de Alfonso Cuarón, vencedor de três Oscars (filme estrangeiro, direção e fotografia). 
 
Trata-se, mais uma vez na carreira do cineasta brasileiro, de uma coprodução internacional, unindo Inglaterra, Argentina, Itália e EUA, falada quase em sua totalidade em inglês e castelhano, além de algumas partes em italiano e até latim, entre outros idiomas. De quebra, já conquistou quatro indicações ao Globo de Ouro: melhor filme dramático, melhor roteiro (Anthony McCarten), ator (Jonathan Pryce) e ator coadjuvante (Anthony Hopkins).
 
Diretor conhecido por filmes como Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira e O Jardineiro Fiel, Meirelles demonstra mais uma vez uma mão segura para conduzir uma superprodução, filmada nas dependências do Vaticano (e algumas cópias cenográficas) retratando um embate de inteligência e sensibilidade entre dois personagens reais, o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o cardeal argentino Jorge Bergoglio, futuro papa Francisco (Jonathan Pryce).
 
Assinado pelo veterano produtor e roteirista Anthony McCarten (autor do script de A Teoria de Tudo e Bohemian Rhapsody), o enredo começa na eleição de Bento XVI, em 2005 - na qual Bergoglio foi bem votado -, e acompanha a subsequente crise em que mergulhou a Igreja Católica por conta dos escândalos com abusos sexuais de sacerdotes. 
 
O cerne da história está nestes dois pólos representados pelo papa alemão, um conservador empedernido, apegado à tradição e aos cerimoniais do poder, e o cardeal argentino, religioso despojado, associado a um trabalho social junto aos pobres e claramente identificado com os reformistas da instituição. Espertamente, o roteiro os coloca um diante do outro, num encontro mantido na residência de verão do papa, Castel Gandolfo, quando o cardeal argentino vinha com o firme propósito de convencer Bento XVI a deixá-lo aposentar-se.
 
Toda a rivalidade entre os dois expressa-se numa série de diálogos inteligentes, não raro ferinos, traduzindo com clareza as posições em jogo. Se, de imediato, todos podem ter sua simpatia pelo argentino, o filme trabalha com eficiência no sentido de humanizar também a figura do papa alemão.
 
Este jogo dramático é muito bem sustentado pela definição de dois personagens cheios de nuances e camadas, interpretados com brio por estes dois grandes atores. Certamente, Bergoglio tem direito a mais flashbacks, mostrando-o em dois momentos definitivos (aí interpretado, em sua versão mais jovem, pelo argentino Juan Minujín): quando decidiu abandonar a noiva para abraçar sua vocação sacerdotal; e quando viveu a maior crise moral de sua vida, ao suspender dois jesuítas a seu serviço, Yorio e Jalics, de uma missão pastoral na periferia, que deu pretexto para que militares da ditadura recém-instalada na Argentina os prendessem e torturassem.

Toda esta densidade, além das qualidades da produção - como a fotografia do habitual parceiro de Meirelles, César Charlone -, transformam Dois Papas num espetáculo cinematográfico superior, independente da fé ou ausência de fé religiosa de quem o assistir. 

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 30/12/2019 - 05h03 - Por andrea noceto degli oddi produção rica e cuidada, o filme foca em excesso Francisco e a ditadura argentina. Esperava-se abordagem mais intensa e profunda do angustiante drama pessoal de Bento, o cultíssimo papa que aqui passa quase em branco, e das pressões e intrigas que desembocaram em sua tão trágica decisão. O filme é ideológico e político, parece uma encomenda da ala progressista da Igreja e não disseca as peripécias espirituais dos dois personagens. Viés comercial em demasia.
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