O paraíso deve ser aqui

Ficha técnica


País


Sinopse

Cansado dos problemas crônicos de seu país, a Palestina, diretor Elia Suleiman resolve viajar ao exterior. No entanto, encontra diversas situações que evocam todos os problemas que ele quis deixar para trás.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/12/2019

O júri em Cannes 2019 criou um prêmio fora do protocolo, a Menção Especial, para o realizador palestino Elia Suleiman e seu novo e criativo O Paraíso deve ser Aqui - em que ele manifesta, mais uma vez, sua inquietação pela busca de uma identidade, um lugar, para o seu povo, pela chave do humor, da poesia e de uma inegável melancolia.
 
O premiado diretor oferece aqui mais um filme minimalista, em que ele interpreta aquele seu constante personagem praticamente mudo – ele pronuncia algumas frases apenas na porção final, em Nova York -, que examina com olhar atento as contradições de um mundo intrigante e paradoxal, e não só na Palestina.
 
São inúmeros esquetes, em que Elia percorre primeiro sua Nazaré natal, depois Paris e Nova York, deixando para trás sua pátria em busca de outro lugar no mundo, em que possa viabilizar sua produção artística. Enquanto isso, acumulam-se cenas simbólicas de uma realidade paralela, mas bem possível de imaginar como parábola – como quando uma ambulância da SAMU para diante de um morador de rua em Paris para oferecer-lhe refeições, dando-lhe escolhas de um menu como a bordo de um avião; e diversos episódios com policiais, como num carro em que dois deles trocam óculos escuros entre si, tendo no banco de trás uma prisioneira vendada.
 
Num escritório de produtora em Nova York, Elia encontra-se com o ator e diretor mexicano Gael García Bernal, no próprio papel, dando-lhe oportunidade de colocar diante da câmera as dificuldades enfrentadas pelos realizadores em busca de apoio.
 
Percorrem as imagens de Elia, algumas poéticas, outras hilárias – como uma que tem a participação de um insistente pardalzinho -, uma fina melancolia, uma procura dessa pátria sem território. Este desejo é retratado diretamente quando Elia procura um sensitivo nos EUA para ler sua sorte e este lhe diz que haverá uma Palestina, mas não na vida deles. Fecha, assim, sua história com uma chave de contundente realismo e um toque de amargura

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 30/12/2019 - 04h55 - Por andrea noceto degli oddi o diretor vê o mundo seletivamente, enxerga o que lhe causa espécie. Com esse recurso evidencia sua visão e o quanto a Palestina é apenas alardeada como causa mas ignorada na essência real. Belo e intrigante, delicado e desesperançado
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