Você não estava aqui

Ficha técnica


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Sinopse

Ricky e Abby formam uma família feliz, ao lado dos dois filhos, Seb e Liza, na cidade de Newcastle. Sem conseguir um novo emprego, Ricky vende o carro da mulher para comprar uma van e fazer entregas, assumindo um emprego estafante e precário.


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Crítica Cineweb

19/02/2020

Vencedor de duas Palmas de Ouro, Ventos da Liberdade (2006) e Eu, Daniel Blake (2016), Ken Loach, 83 anos, apesar da aparente modéstia de suas produções, é sempre um cineasta antenado com alguns dos mais cruciais problemas do mundo, como a precariedade do trabalho no mundo capitalista, capaz de destroçar laços sociais e familiares de maneira absolutamente cruel e avassaladora.
 
É esse o tema de Você Não Estava Aqui, em que se coloca em foco uma família trabalhadora na cidade de Newcastle, em pleno processo de desmonte diante da impossibilidade de sustentar-se e até de um mínimo convívio mútuo. Ricky (Kris Hitchen), o pai, pulou de um emprego para outro, num mercado de trabalho altamente instável. Agora, convenceu a mulher, Abby (Debby Honeywood), uma cuidadora de idosos e pessoas com deficiência, a vender seu carro para permitir a compra de uma van, com a qual o marido vai fazer entregas para uma grande empresa. Nenhum dos dois tem contratos ou garantias trabalhistas, o que os obriga a longas horas de trabalho, sem tempo para um contato mais direto com os dois filhos, o adolescente Seb (Rhys Stone) e a pequena Liza (Katie Proctor).
 
Nada ingênuo, Loach é uma reserva humanista no mundo, colocando em discussão questões absolutamente inadiáveis, contando com a preciosa parceria do roteirista Paul Laverty, que aqui, como sempre, encarregou-se da maior parte das pesquisas. Laverty entrevistou inúmeros motoristas como os vistos no filme, pressionados por agendas apertadas, jornadas de 14 horas diárias ou mais e nenhuma segurança, quando sofrem assaltos, acidentes ou problemas de saúde.São os escravos modernos e o filme, que não sinaliza soluções - como poderia? -, é o seu grito de socorro.
 
Na coletiva de imprensa em Cannes 2019, onde o filme concorreu à Palma de Ouro, a dupla Loach e Laverty, mais uma vez, esbanjou lucidez. Ambos destacaram como a economia capitalista mundial está produzindo “desigualdade extrema, na Inglaterra, como nos EUA”. Sobre o poder do filme para mudar alguma coisa, Loach afirmou: “Não devemos exagerar o poder de um filme, mas somos uma voz dentro do coro”. Ele salientou também a necessidade de “mudanças estruturais” e completou: “Temos que lidar com o fato de que as pessoas estão com raiva e com medo. A extrema-direita cresce nesse medo. A esquerda, não, ela cresce na confiança de que podemos, sim, mudar as coisas”.

Neusa Barbosa


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