Os olhos de Cabul

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País


Sinopse

Zunaida e Mohsen são um jovem casal de professores cuja vida foi drasticamente afetada pela imposição das leis fundamentalistas do Talibã, na Cabul de 1998. Uma série de incidentes trágicos cruzarão sua vida com a de Atiq, um guarda de prisão, e sua mulher, Mussarat, gravemente doente.


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Crítica Cineweb

27/05/2020

Animação adulta que teve sua première na seção Un Certain Regard de Cannes 2019, Os olhos de Cabul mantém uma total correspondência entre forma e conteúdo - no caso, a delicada técnica de animação manual, que guarda semelhança com a aquarela e extrai realismo poético de uma história dramática impregnada de paixão, repressão e política.
 
O ano é 1998, domínio Talibã no Afeganistão. É verão em Cabul, onde a vida de dois casais se intercala dramaticamente. De um lado, os jovens professores Zunaira (voz de Zita Hanrot) e Mohsen (Swann Harlaud), impedidos de continuar sua vida normal depois das imposições fundamentalistas do Talibã. Tudo é proibido: música, espetáculos, mangas arregaçadas acima dos cotovelos, mulheres circularem sem burcas na rua. Tudo isso e muito mais é crime, passível de punições, até morte.
 
Mohsen, um jovem progressista, se abala com uma reação sua diante do apedrejamento de uma mulher, acusada de devassidão - cena comum naqueles dias. Os desdobramentos deste incidente aproximam a vida do casal da de Atiq (Simon Abkarian), guarda da prisão que abriga as presas condenadas à morte, e sua mulher, Mussarat (Hiam Abbass), que está gravemente doente.
 
As diretoras, Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec (esta, responsável pela animação), partiram de um romance de Yasmina Khadra - pseudônimo literário do escritor argelino Mohammed Moulessehoul - para compor um relato que desnuda os absurdos impostos a uma sociedade pelo o fanatismo religioso - e que atingem muito mais pesadamente as mulheres, no caso do Talibã. O roteiro, assinado pelas diretoras ao lado de Patricia Mortagne e Sébastien Tavel, desnuda, com clareza cristalina, o sufocamento de todos os indivíduos para que predomine o poder miliciano dos talibãs - que circulam pelas ruas armados e, hipocritamente, mantêm em seus QG tudo o que em público proíbem aos outros, bebidas, televisão e mulheres em trajes exímios.
 
Por conta desta procura de clareza e pungência, pode-se perdoar algum discreto tom de didatismo, que se insinua aqui e ali. Mas a história não perde o rumo, a contundência e sobretudo a oportunidade - ainda mais quando se leva em conta que, neste exato momento, os Talibãs estão a um passo de dividirem o poder no Afeganistão, conseguindo inclusive a desejada partida das tropas norte-americanas sem ter, na verdade, feito maiores concessões sobre sua ideologia.

Neusa Barbosa


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