Por um Fio

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Comentários em áudio do diretor Joel Schumacher e do ator Colin Farrell (sem legendas)
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Crítica Cineweb

12/06/2003

Num tempo em que o celular domina o cotidiano, parece um pouco estranha à primeira vista a idéia de ambientar um filme inteiro dentro de uma cabine telefônica. O protagonista, Stuart Shepard (Colin Farrell), aliás, tem um celular no bolso. Mas prefere usar o bom e velho orelhão porque não quer que a mulher (Radha Mitchell) identifique nas chamadas o telefone da jovem atriz que ele está paquerando (Katie Holmes).

Parece pouco assunto para um filme e é mesmo. Tudo é muito escasso aqui - tempo, argumento, roteiro. Mas é dessa precariedade que se alimenta a tensão, até bastante bem-construída dentro das limitações do material original. Mesmo os pecados de Stuart, um assessor de imprensa inescrupuloso e histérico, parecem muito leves para que ele se torne alvo da fúria de um invisível anjo vingador (Kiefer Sutherland), um atirador que mira com sua arma telescópica na cabine e, somente na base da ameaça, impede que Stu desligue o telefone que ele tão insensatamente atendeu, pelo tempo exato de duração do filme, 81 minutos.

Não é diversão sofisticada e nem o filme promete outra coisa que provocar a adrenalina de seus espectadores pelo tempo exato de uma sessão. É fato que se assiste com uma ponta de impaciência a aflição de Stu preso na cabine, sob o risco de levar um tiro certeiro. O perverso prazer do vingador será portanto colocar sua vítima sob pressão, observando suas reações, como um rato preso num laboratório. Primeiro, são as prostitutas em fúria que tentam arrancá-lo da cabine. Depois, o cafetão armado de um taco de beisebol (John Enos III), prontamente executado pelo atirador escondido e que não aceita concorrência - se alguém pode abater Stu é ele e mais ninguém.

Morto este agressor, o jogo fica mais perigoso para Stu, já que as prostitutas começam a gritar que foi ele o assassino - o que atrai o habitual circo da mídia e a polícia para o redor da cabine. Sempre pendurado no telefone, suando, desesperado, o protagonista é chantageado a repetir as mensagens ditadas pelo interlocutor - e que incluem ofensas ao capitão que chega para negociar o impasse (Forest Whitaker) e confissões vexatórias para a mulher, a namoradinha e a multidão ao redor da cena. Um ritual quase tão humilhante quanto a participação nesses programas sensacionalistas de TV que exploram brigas domésticas.

Curiosamente, uma história tão irreal - escrita há cerca de 20 anos pelo roteirista Larry Cohen - encontrou inesperado eco na vida real. A estréia do filme foi adiada nos EUA porque na época andava à solta um misterioso atirador em Washington, que causou inúmeras vítimas, mostrando que a realidade pode ser bem mais insana do que a ficção. Quanto a Farrell, irlandês que domina sotaques com perfeição, prova que seu posto de ator da hora em Hollywood continua firme. Ele substituiu três pesos-pesados cotados para o papel - Jim Carrey, Mel Gibson e Will Smith -, uma solução econômica, é verdade, mas que aumentou seu cacife a partir do momento em que o filme galgou os primeiros lugares na bilheteria americana.

Neusa Barbosa


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