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Crítica Cineweb

15/08/2003

Minimalismo demais pode ser um problema. E este filme corta na carne a dramaticidade em potencial de uma história que se baseia na perseguição de um assassino e seu treinador. Benicio Del Toro, ator que já ganhou um Oscar de coadjuvante por seu ótimo trabalho em Traffic, de Steven Soderbergh, aqui mais grunhe do que fala. O que até certo ponto combina com seu personagem. Ele é Aaron Hallam, um agente do governo americano treinado para missões perigosas e mortais. Na última delas, em Kosovo, 1999, ele ganhou uma medalha pela rapidez com que executou o chefe do massacre no local. Em compensação, a carnificina danificou completamente sua razão e sensibilidade. Aaron virou uma máquina de matar. E, o que é pior, altamente qualificado para esconder-se nas matas do Oregon sem ser percebido e capaz de transformar em lâminas as mais inocentes pedras do caminho.

Depois que ele mata, com requintes de selvageria, uma turma de caçadores, o FBI decide que é hora de convocar o treinador que tornou Aaron tudo que é, o tenente Bonham (Tommy Lee Jones). Hoje, o tenente também vive no meio de uma mata, salvando lobos de armadilhas colocadas por outros caçadores inescrupulosos. Mas a verdade é que, durante um tempo, ele ganhou bom dinheiro do governo para transformar simples soldados em matadores implacáveis e grandes conhecedores da localização das artérias do corpo humano. Sentindo-se culpado por sua parte nesse serviço sujo, Bonham concorda em colaborar para a captura de Aaron. Só que o pupilo faz jus às lições do mestre.

O centro do filme é esse enfrentamento entre criador e criatura em vários ambientes. É inegável que o experimentado diretor William Friedkin (do inesquecível Operação França) maneja com bastante competência a adrenalina de várias situações. As lutas entre os dois homens parecem bem reais, com sangue, suor, cansaço. Nada limpinho, coreografado, enfeitado por efeitos especiais. Com isso, consegue evocar em parte a alma da história, equilibrada num vago conceito de homem primal, homem das cavernas, que vive preso no fundo do coração humano e é, de tempos em tempos, libertado em guerras e situações-limite.

Pena que a produção não tenha mais ambição de fazer algum tipo de reflexão moral em torno dessa violência que aprisionou a alma de Aaron, tornando-o uma fera sem controle. Um filme de ação física como este só ambiciona ser uma espécie de catarse, sem aprofundamente maior dos personagens. Avaliando-se apenas esta pretensão, não se pode dizer que seja um mau filme. É um espetáculo competente, que apenas poderia tirar mais proveito de uma dupla de atores tarimbados para isso.

Neusa Barbosa


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