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Cine PE – “Faço tudo para não decepcionar o povo brasileiro”, diz Pelé

Publicado em 01/05/11 às 13h37

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por Alysson Oliveira
Foto: Daniela Nader/Divulgação
 
Recife - Uma coisa é certa: a presença de Pelé no 15º. Cine PE causou mais alvoroço, cotoveladas e histeria do que qualquer diretor ou estrela de cinema irá causar até o encerramento do festival, na próxima sexta. O ex-jogador foi homenageado por sua carreira cinematográfica, que inclui 18 longas, na noite de abertura, no sábado, na gigantesca sala de cinema do Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.
 
Depois de todos os discursos protocolares, num palco que lembrava decoração de uma festa de debutantes, foi exibido o longa Cine Pelé, de Evaldo Mocarzel, que faz um apanhado da carreira cinematográfica do jogador que inclui longas brasileiros, como Rei Pelé (1962), Pedro Mico (1985), além dos estrangeiros, como o famoso Fuga para a Vitória (1982), de John Huston, no qual o jogador contracena com Michael Caine, Sylvester Stallone e Max von Sydow.
 
Na disputadíssima coletiva, na manhã de domingo, Pelé contou que quando criança sempre gostou de cinema. Seus ídolos eram Mazzaropi, Ankito e Grande Otelo. “Depois, quando me tornei jogador, viajava muito, e não pude acompanhar com mais frequência os filmes brasileiros. Hoje, admiro o trabalho de atores como Lázaro Ramos”.
 
No evento para a imprensa, onde fotógrafos e cinegrafistas provocaram um quase caos,  o jogador confessou que ontem precisou se segurar para não acabar em lágrimas. “Sou muito chorão. Esta homenagem foi um presente de Deus. Eu sempre faço de tudo para não decepcionar o povo brasileiro”.
 
“Se o Brasil tivesse de pagar para o esporte tudo o que o esporte fez de promoção pelo país, sem dúvida, o governo estaria devendo muito para a gente. A mesma coisa acontece com a música e o cinema”.  Ele não descarta a chance de voltar a atuar. “Se puder, todas as vezes que achar uma história boa, vou fazer o filme”, prometeu.
 
O filme Cine Pelé é uma produção do Canal Brasil, no qual será exibido numa versão que reduzirá para 25 minutos os 60 exibido na noite de ontem. A nova edição só tem a ganhar, agilizando a montagem soporífera. Ficará melhor ainda se intercalar os depoimentos do jogador com as cenas que ele menciona de seus filmes – ao contrário da versão atual, que deixa essa ilustração para os minutos finais.
 
Mas quando o assunto é a Copa de 2014, o jogador não se mostra tão empolgado. “Não podemos deixar para fazer tudo na última hora. E também é preciso pensar como utilizar os estádios depois [do campeonato]. Afinal, parte do dinheiro usado para a construção é dinheiro público”. Pelé vê como uma solução usar os locais para shows e outros eventos. “Hoje em dia ninguém mais chama de estádio. Todo mundo fala arena porque tem mais uso do que só para jogos de futebol”.
 
Wagner Moura sai de cena, entram bonecos gigantes de Olinda
 
Outro homenageado do festival, Wagner Moura, ficou preso no aeroporto de Campinas, onde roda um filme. A mãe do ator, Alderiva Moura, foi quem recebeu o Calango de Ouro e, no palco, brincou com um boneco gigante de Olinda que representava o Capitão Nascimento, um dos personagens mais famosos interpretados pelo filho.
 
Os bonecos, aliás, roubaram a cena, representando atores como Marieta Severo em Carlota Joaquina, Selton Mello em Meu nome não é Johnny e Rodrigo Santoro em Bicho de sete cabeças. Ao contrário deles, no entanto, os cinco curtas que abriram a mostra competitiva não empolgaram tanto o público que, ao contrário da homenagem a Pelé, não lotou a sala. A seleção do primeiro dia exibiu os documentários Vou Estraçaiá (PE), deTiago Leitão; O Contador de Filmes (PB), de  Elinaldo Rodrigues; Janela Molhada (PE),  Marcos Enrique Lopes; e as ficções Muita Calma Nessa Hora (RS), de Frederico Ruas; e A Casa das Horas (CE), de Heraldo Cavalcanti.

Alysson Oliveira


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