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Primeiro Festival Internacional de Mulheres no Cinema começa em SP

Publicado em 04/07/18 às 13h01

Num mercado audiovisual como o brasileiro, em que menos de 17% dos filmes realizados entre 2009 e 2016 foram dirigidos por mulheres, visando discutir a equidade de gênero na indústria cinematográfica brasileira e mundial e valorizar narrativas construídas por mulheres, a Casa Redonda e a Associação Cultural Kinoforum realizam a 1ª edição do FIM – Festival Internacional de Mulheres no Cinema de 4 a 11 de julho no CineSesc e Espaço Itaú de Cinema – Augusta, em São Paulo.
 
Com curadoria de Beth Sá Freire, Juliana Vicente e Andrea Cals, a 1ª edição do FIM homenageia Zezé Motta. A programação , com uma seleção de 28 filmes, traz mostras competitivas de longas-metragens, programas que celebram a presença feminina por trás das câmeras e nas telas de cinema, sessões especiais e ações de formação.
 
A Mostra Competitiva Nacional reúne seis longas-metragens brasileiros exclusivamente dirigidos por mulheres e realizados nos últimos 18 meses, que foram selecionados por meio de inscrição no site do FIM.
 
Baronesa, de Juliana Antunes, é um docudrama sobre duas vizinhas em meio à guerra do tráfico na periferia de Belo Horizonte que tem conquistado plateias pela força de sua construção narrativa e prêmios em diversos festivais, como o de Tiradentes e Mar Del Plata (Argentina), em 2017.
 
Única ficção na competição nacional, Como é Cruel Viver Assim, de Julia Rezende, apresenta um quarteto de amigos que planeja sequestrar um milionário, mas que não tem nenhuma experiência na vida do crime.
 
Quatro documentários completam a lista: em Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula, a história do cinema brasileiro é revisitada por Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga, que fundou o primeiro estúdio de cinema no país em 1930; O Chalé é uma Ilha Batida de Vento e Chuva, de Letícia Simões, homenageia o romancista paraense Dalcídio Jurandir, que dividiu seu tempo entre escrever e navegar pelo rio Tapajós para trabalhar como inspetor de escola; O Desmonte do Monte, filme de estreia de Sinai Sganzerla, aborda a história do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, que foi destruído apesar de sua importância histórica e arquitetônica; e SLAM: Voz de Levante, de Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva, retrata os campeonatos performáticos de poesia falada, acompanhando a poetisa negra e feminista Luz Ribeiro, campeã brasileira de 2016, até a Copa do Mundo da modalidade em Paris.
 
A Mostra Competitiva Internacional traz seis longas estrangeiros indicados pela curadoria, concluídos nos últimos 18 meses e apenas com mulheres na direção.
 
Dois títulos foram premiados no Festival de Cannes em 2017. O francês Jovem Mulher, de Léonor Serraille, que recebeu o Caméra d’Or no Festival de Cannes, confirma o potencial explosivo da atriz Laetitia Dosch interpretando uma personagem que, após o fim de um relacionamento de 10 anos, decide recomeçar a vida em Paris. Já o japonês Esplendor, de Naomi Kawase, segue uma jovem que faz versões cinematográficas destinadas a deficientes visuais e um fotógrafo que está perdendo a visão. O filme foi o vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico.
 
Lançado na Berlinale deste ano, Diário da Minha Cabeça, da celebrada diretora suíça Ursula Meier e com Fanny Ardant no elenco, gira em torno de um garoto que assassinou friamente seus pais. Exibidos na edição anterior do festival, o mexicano Tesoros, de María Novaro, ressalta a importância de se cuidar do meio-ambiente, contando a história de um grupo de crianças em busca de um tesouro escondido, e o português Colo, de Teresa Villaverde, retrata a rotina de família absorvida pelos efeitos da crise econômica de seu país.
 
Ainda na disputa, Vergel, de Kris Niklison, é uma coprodução Argentina-Brasil. Um luto repentino leva uma mulher à beira da loucura e em meio a trâmites funerários, o calor do verão e uma vizinha que rega as plantas, é difícil distinguir o real do irreal.
 
público votará ao final de cada sessão para eleger o longa favorito em cada mostra. As diretoras dos dois filmes vencedores receberão um prêmio de R$ 15 mil cada.
 
MOSTRAS ESPECIAIS
 
O programa Lute Como uma Mulher apresenta sete longas-metragens brasileiros, dirigidos ou codirigidos por mulheres, acerca de temáticas de resistência política, social, ambiental, cultural, econômica, racial e afetiva.
 
O documentário Chega de Fiu Fiu, de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão, aborda a campanha contra o assédio sexual em espaços públicos, acompanhando o dia a dia de três mulheres por meio de câmeras escondidas. De Susanna Lira, Mataram Nossos Filhos documenta a jornada de um grupo de mães que perderam seus filhos e transformam o luto em luta por justiça. Então Morri, de Bia Lessa e Dany Roland, conta a vida de uma mulher, do nascimento até a morte, misturando imagens de diferentes pessoas, de diferentes idades, em diferentes regiões do Brasil, embora a luta sempre seja a mesma.
 
O Fogo que não se Apaga é uma homenagem a mulheres que dedicaram suas vidas profissionais à sétima arte e que seguem produzindo obras inspiradoras. A mostra especial traz os longas-metragens mais recentes de Helena Ignez, Paula Gaitán, Helena Solberg, Beth Formaggini e Lucia Murat, além de Amor Maldito, de 1984, que foi dirigido por Adelia Sampaio, sendo o primeiro filme nacional a mostrar a relação amorosa entre duas mulheres e dirigido por uma cineasta negra.
 
SESSÕES ESPECIAIS
 
Homenageada da 1ª edição do FIM, Zezé Motta é convidada da abertura do Festival, que será realizada no CineSesc, a partir das 20h do dia 4 de julho. Após a cerimônia, será exibido Que Língua Você Fala?, filme realizado pela artista visual Elisa Bracher, que aborda o enfrentamento e adaptação de imigrantes e migrantes frente a uma nova língua e cultura.
 
Zezé também participa de uma sessão especial de Xica da Silva, de Cacá Diegues, que levou mais de três milhões de brasileiros ao cinema em 1976.  O filme será exibido no Espaço Itaú de Cinema – Augusta na quinta-feira, dia 5, às 20h, seguido de uma conversa com a atriz sobre o protagonismo feminino em tela e seus 50 anos da carreira que segue ativa – ela está no ar com a 2ª temporada de 3%, da Netflix.
 
Outro destaque da programação, o tradicional bate-papo Cinema da Vela do CineSesc, convida três diretoras unidas pelo FIM para relatarem suas experiências. Adélia Sampaio fala de Amor Maldito, Roberta Estrela D’Alva percorre sua trajetória pela poesia, cinema e TV, e Juliana Vicente compartilha os aprendizados de sua série Afronta e propostas da TV Preta. O evento acontece no dia 9, às 19h30, com mediação de Minom Pinho.
 
Na cerimônia de encerramento, dia 11, às 20h, também no CineSesc, além da premiação dos filmes escolhidos pelo público nas Mostras Competitivas Nacional e Internacional, serão apresentados os projetos e diretoras contempladas pelo FAMA – Fundo Avon de Mulheres no Audiovisual na edição 2018. Fechando o festival, Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg, é o primeiro filme apoiado pela edição piloto do FAMA, em 2017, que também selecionou os longas Diálogos com Ruth de Souza, de Juliana Vicente, e Pedro, de Laís Bodanzky, ambos em fase de produção.
 
A programação do FIM traz ainda cursos, encontros e masterclasses voltados prioritariamente ao público feminino atuante ou interessado no mercado no audiovisual. São quatro masterclasses, de três horas de duração cada: “Introdução ao Documentário para cinema e TV”, com Deborah Osborn (dia 5); “Respirando com a Câmera”, com Heloisa Passos (dia 6); Produção Executiva para Cinema, com Geórgia Costa Araújo (dia 10); e “Distribuição Cinematográfica, estratégias e resultados”, com Barbara Sturm (dia 11). Os preços variam de R$ 15 a R$ 4,50. Mais informações:http://fimcine.com.br/br/conteudo/masterclasses.
 
Os três cursos têm carga horária de seis horas cada, divididas em dois dias. São eles: “Cinema Negro: história, ativismo e protagonismo feminino”, com Janaína Oliveira (dias 6 e 7); “A Crítica de Cinema e a Diversidade do Olhar”, com Flávia Guerra (dias 10 e 11); e “A Intervenção da Mulher no Documentário Brasileiro”, com Daniela Capelato (dias 5 e 12). Os preços variam de R$ 50 a R$ 15. Mais informações: http://fimcine.com.br/br/conteudo/cursos.
 
Ancine promove o encontro gratuito “Conhecendo o Financiamento Público ao Audiovisual”, com as especialistas Carolina Brasil Romão e Silva, Renata Lucia de Toledo Pelizon, Fabiana Trindade Machado e Myriam Assis de Souza (dia 5).
 
Concomitante ao Festival, a Ancine e o Sesc São Paulo realizam o II Seminário Internacional Mulheres do Audiovisual (dia 4, das 9h às 18h), apresentando estudos e iniciativas que contribuem para ampliar a conscientização e inspirar a ação dos profissionais do audiovisual brasileiro quanto às desigualdades de gênero e raça. Mais informações: http://fimcine.com.br/br/cont/532-2o.-seminario-internacional-mulheres-no-audiovisual.
 
Serviço
 
FIM – FESTIVAL INTERNACIONAL DE MULHERES NO CINEMA
Quando: 04 a 11 de julho de 2018
Onde: Sessões no CineSesc (R. Augusta, 2075) e Espaço Itaú de Cinema – Augusta (Rua Augusta, 1475) e programa formativo no CPF – Sesc (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar)
Realização: Casa Redonda e Associação Cultural Kinoforum
Patrocínio: Avon | FAMA – Fundo Avon Mulheres do Audiovisual
Apoio: Sesc São Paulo e grupo Mulheres do Audiovisual Brasil
Informações: www.fimcine.com.br | facebook.com/fimcine
Ingressos:
Espaço Itaú de Cinema – Augusta: R$ 20,00 e 10,00 todos os dias
CineSesc: R$ 20,00 e R$ 10,00 (sexta, sábado, domingo e feriado – segunda, 9/julho); R$ 17,00 e R$ 8,50 na quinta e terça; R$ 12,00 / R$ 6,00 na quarta.
 
As cerimônias de abertura e encerramento têm entrada gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria do CineSesc a partir das 19h.
 
O bate-papo “Cinema da Vela” é gratuito e não requer ingresso.

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