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Indie 2018 começa no Cinesesc com filme japonês exibido em Cannes

Publicado em 12/09/18 às 17h14

Começa nesta noite (12-9), no CineSesc, em São Paulo, a 18ª edição do Indie 2018. A atração será o filme japonês Asako I & II, do diretor Ryusuke Hamaguchi, lançado na competição do Festival de Cannes 2018. Baseado no livro da escritora japonesa Tomoka Shibasaki, o filme acompanha a trajetória de uma jovem que se apaixona, em períodos diferentes de sua vida, por dois homens com o mesmo rosto. Ryusuke Hamaguchi dirigiu anteriormente Happy Hour, exibido no Indie, em 2016.
 
Nesta 12ª edição paulista, que acontece de 12 a 19 de setembro, no CineSesc, o INDIE apresenta uma nova proposta de formato.  Nesta edição, serão exibidos 14 filmes, de 13 países.
 
Entre os destaques da programação, figura a exibição do filme argentino La Flor, de Mariano Llinás, com seus 808 minutos (quase 14 horas). Realizado nos últimos 9 anos, o filme apresenta quatro atrizes - Pilar Gamboa, Elisa Carricajo, Laura Paredes e Valeria Correa – interpretando vários personagens, em diferentes histórias e gêneros. Para Llinás a ideia é que “os espectadores acompanhem as carreiras dessas atrizes se desenrolando diante dos seus olhos, como parte do mesmo filme. A ideia é que um filme seja uma série de filmes, uma era na vida de quatro pessoas, e que o cinema seja capaz de mostrar essa passagem do tempo, esse aprendizado, esse processo”. La Flor será exibido em três partes, em dias diferentes.
 
O diretor filipino Lav Diaz reconhecido pela duração longa de seus filmes, já disse, diversas vezes ao longo dos anos, que não rege suas obras pelo tempo, mas, sim, pelo espaço e pela natureza. Diaz apresenta no INDIE seu último filme, lançado em Berlim, Estação do diabo (230 minutos), uma ópera rock, um musical político, que reflete um período de ditadura e tempos sombrios vividos em seu país.
 
É do jovem escritor e diretor chinês Hu Bo um dos mais importantes filmes: Um elefante sentado quieto. Hu, que cometeu suicídio em 2017, aos 29 anos, logo após concluir o filme, fez desse seu primeiro e último longa um manifesto da sua existência. Um filme colossal e singular, com quase quatro horas de duração, em que Hu nos leva a acompanhar um dia na vida de quatro moradores de uma pequena cidade no norte da China. “As coisas verdadeiramente valiosas estão nas rachaduras do mundo, e não de maneira pessimista”, diz Hu Bo.
 
O crítico francês Pierre Rissient, falecido um pouco antes do Festival de Cannes, escreve: “Agora, sete meses após o coração de Hu Bo, diretor de Um elefante sentado quieto, parar de bater tragicamente, surge o último filme de Bi Gan, Longa jornada noite adentro. Eu diria que é uma geração da poesia ardente”. Para Rissient, Hu Bo e Bi Gan seriam a oitava geração do cinema chinês. E o jovem diretor chinês Bi Gan está no INDIE com Longa jornada noite adentro, seu segundo longa, lançado em Cannes 2018. Perfeccionista e meticuloso, Gan fez um romance, noir, sci-fi, de um homem em busca da mulher amada.
 
O governo chinês, em 2012, perseguiu o diretor Liang Ying e sua família porque queria proibir a exibição internacional do seu filme When Night Falls, exibido no INDIE daquele ano, sobre um jovem que mata seis policiais e é condenado à morte pelo governo chinês, que decreta sua senteça sem respeitar as formalidades legais  (anteriormente, o Indie 2006 também exibiu seu segundo longa A outra metade). Liang Ying desde então vive exilado em Hong Kong. Em Locarno 2018, Ying lançou seu primeiro longa em cinco anos, A viagem da família, uma história autobiográfica, sobre uma diretora de cinema chinesa, refugiada, que junto com o marido e o filho, reencontra com a mãe, que não via há anos, em Taiwan numa pretensa viagem de turismo.
 
O INDIE 2018 apresenta três diretoras que realizaram seu primeiro longa. A alemã Helena Wittmann, em À deriva, traz uma história de amor, amizade e a distância que os separa permeada de gestos e silêncios, que tem o mar como ator principal. Um dia, da diretora húngara Zsófia Szilágyi, Prêmio FIPRESCI na Semana da Crítica de Cannes, retrata a rotina de uma mãe, o conflito entre trabalho e a dedicação aos três filhos, além da angústia da suspeita do marido estar tendo um caso. Já a diretora polonesa Jagoda Szelc estreia com um filme de gênero: Torre. Um dia brilhante. Prêmio de Melhor Primeiro Filme no Polish Film Festival, o filme é um suspense centrado numa pequena cidade polonesa, onde a família se reúne para uma primeira comunhão.
 
As estrelas no cinema. Não os atores/estrelas do cinema, mas as estrelas no céu noturno dos filmes, o austríaco Johann Lurf compilou cenas de céus estrelados de 550 filmes em ★ (o diretor quer que o filme seja citado pelo símbolo e não pela palavra Star/estrela). O filme que estreou no Festival de Viena, em 2017, passou também por Sundance, Rotterdam e diversos outros festivais.
 
Uma câmera estática, um ambiente determinado e o tempo. Dois artistas e diferentes performances. Do célebre diretor americano James Benning, o Indie traz L.Cenoh: a visão de um campo agrícola, no Oregon, observando a lua que passa, um pôr do sol e uma canção de Leonard Cohen. Recebeu Grande Prêmio no festival Cinéma du Réel.
 
O diretor catalão Albert Serra volta ao personagem do Rei Luis XIV, do seu filme anterior A Morte de Luís XIV, com Rei Sol. Sai Jean-Pierre Léaud e entra o ator Lluís Serrat, um não-ator que já participou de diversos filmes de Serra. Proposto como uma performance, em uma galeria, as mazelas e a morte do rei em tempo real. Recebeu o Grande Prêmio da Competição Internacional no FID Marseille.
 
O diretor mexicano-suíço Pablo Sigg filma em Nueva Germania, uma colônia ariana fundada pela irmã de Friedrich Nietzsche, localizada no Paraguai, os dois descendentes que sobreviveram e vivem na região. Lamaland é o registro desse mundo isolado. Já em Os indesejados da Europa, o diretor italiano Fabrizio Ferraro retrata uma rota de fuga através dos Pirineus que levou antifascistas, estrangeiros e judeus em fuga da França ocupada. O filósofo Walter Benjamin era um deles.
 
O INDIE 2018 em São Paulo é uma correalização da produtora Zeta Filmes e do SESC SP e conta com o apoio institucional da Fundação Japão.
 
SERVIÇO
São Paulo: 12 a 19 de setembro
CineSesc
 (273 lugares)
Rua Augusta, 2075 / Cerqueira César
Tel.: 3087.0500 - sescsp.org.br 
Ingressos: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC)

Outras informações
indiefestival.com.br
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