O olhar de Carlão em "Paraíso perdido"
Existe uma alma corsária em Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg. Existe um olhar humanista e curioso de Carlão Reichenbach que mede cada personagem, de cima abaixo, e parece satisfeito com o que vê. Não teria feito melhor, ele diria, sentado em uma poltrona do CineSesc e observando a entrada em cena de cada ator interpretando o drama comum de pessoas comuns - o motoboy que é cantor e sonha ser ator; a drag queen que flerta com um professor de inglês e canta canções apaixonadas que cabem muito bem em sua pele ou na pele da persona feminina que representa no palco; o acadêmico que abandonou a vida universitária e abraçou a administração de um cabaré; o cantor abandonado pela mulher, mas que ainda sonha reencontrá-la; a mulher que sai da cadeia depois de cumprir longa pena por assassinato.
Uma pequena cidade habita no cabaré Paraíso Perdido, onde se reúnem almas solitárias no fim de noite e que serve de abrigo para quem busca um pouco de diversão para tornar suas vidas menos pesadas. É um mundo rico de significados que só poderia existir na cabeça de Carlão. Ali estão vários personagens que se parecem muitos com os que criou em Anjos do Arrabalde, Garotas do ABC, Alma Corsária, Falsa Loura. E como nos filmes do paulistano gaúcho, Monique Gardenberg, que os tomou emprestado, os trata com o respeito que merece cada trabalhador.

Autor de filmes importantes sobre a Itália do pós-guerra, o napolitano Francesco Rosi morreu hoje, aos 92 anos, e não deixa seguidores. "O Caso Mattei", "As mãos sobre a cidade" e Salvatore Giuliano" são obras-primas de uma corrente cinematográfica que os críticos chamavam de cinema-denúncia. Nisso ele foi mestre, ao mergulhar nas mazelas políticas e sociais da Itália, como a corrupção, a especulação imobiliária, o crime organizado, que também são mazelas em tantos países. Grande perda para o cinema, principalmente para o cinema italiano, que ultimamente anda tão pouco criativo.
A cidade ainda não se recobrou do efeito de
O falsário brasileiro que tentou abrir conta numa agência bancária no Recife (PE), usando um RG com a foto de Jack Nicholson, virou motivo de piada no mundo inteiro por sua ação desastrada. Pior só se tivesse usado um revólver de sabão num dia de chuva. O jornal americano New York Daily News chamou o brasileiro de “um coringa que precisa de muitos ajudantes para sobreviver no mundo do crime”. Na verdade, o que a imprensa não noticiou - e que vocês podem ver aqui com exclusividade - é que o golpe poderia ter dado certo se o bandido atrapalhado tivesse usado outro RG entre os inúmeros que ele havia preparado como plano B. Agora ele se lamenta por não ter sido iluminado e usado a segunda foto. Como consolo, espera encontrar na cadeia parceiros do nível de Tim Robbins e Morgan Freeman para voltar a ter um sonho de liberdade.
As terças-feiras costumam ser dias de notícias ruins. É quando sai a relação dos filmes mais vistos do fim de semana anterior, apurada pelo Filme B, que o Cineweb destaca na home. É muito raro um bom filme bombar no gosto do público, na semana de abertura. Outro dia foi Agamenon, semana passada foi A filha do mal, e esta semana, Cada um tem a gêmea que merece. Quando vi o filme, tive uma ligeira esperança que ele não faria sucesso. Ele é muito ruim, pensei comigo, as piadas não têm graça. Mas, ingenuidade minha, o filme de Adam Sandler bombou em bilheteria, em venda de pipoca, de refrigerante, de dramin. Só me resta esperar que na próxima terça-feira A Invenção de Hugo Cabret conquiste a simpatia do público. Mas é bem capaz que a versão mulher de Adam Sandler continue dando as cartas.
O boxe é um esporte curioso. A primeira imagem que fica é a de que o esporte é violento, presenciado por sádicos. Também tinha essa impressão. Nunca gostei de lutas violentas, quando o risco enfrentado por um dos pugilistas é evidente. Não gosto de ver um homem ser humilhado, jogado ao chão como um animal abatido. Mas não deixo de torcer, mesmo contra toda a lógica do esporte, para o lutador mais franzino, mais desajeitado, com o calção mais feio e rosto mais desesperado. Muito raramente eles ganham, mas pelo menos tentaram.