20/02/2024

Documentário francês "Sur l'Adamant", de Nicolas Philibert, vence Urso de Ouro


No final, o júri presidido pela atriz Kristen Stewart proporcionou uma grande surpresa, ao premiar com o Urso de Ouro o documentário francês Sur l'Adamant, de Nicolas Philibert, um filme humanista do qual ninguém pode realmente desgostar, apesar da simplicidade de sua feitura, abordando uma unidade anticonvencional de atendimento a pacientes psiquiátricos em Paris. Desta maneira, o festival alemão imitou o de Veneza, que no ano passado também concedeu o prêmio principal a um documentário (All the Beauty and the Bloodshed, de Laura Poitras, concorrente ao Oscar).

O júri acertou ao premiar o veterano alemão Christian Petzold com o Grande Prêmio do Júri por seu delicioso Roter Himmel/Afire, mas que bem podia ter levado o prêmio principal desta vez. Outros prêmios já causam bem mais estranheza - melhor direção para Philippe Garrel por um filme muito modesto e insatisfatório, Le Grand Chariot, e o Prêmio do Júri para o português João Canijo, e seu quase insuportável Mal Viver, um longo e cansativo drama claustrofóbico envolvendo quatro mulheres num hotel.



Houve um acerto grande no prêmio de atuação principal para a garotinha Sofia Otero, protagonista do drama espanhol 20000 Especies de Abejas (foto ao lado), da estreante Estebalíz Urresola Solaguren; nem tanto para a atuação coadjuvante para Thea Ehre, uma atriz trans, do suspense alemão Till the End of the Night, de Christoph Hochhausler - que parece pretender ser um Rainer Werner Fassbinder mas não lhe chega aos pés. Ainda outra alemã, Angela Schanelec, venceu o prêmio de melhor roteiro pelo hermético porém competente Music. E a melhor contribuição artística ficou para a diretora de fotografia francesa Héléne Louvart, por seu trabalho no filme Disco Boy, de Giacomo Abruzzese, que bem poderia ter levado mais premiações.

Salta aos olhos, no entanto, a ausência de premiações para dois filmes belíssimos: o norte-americano Past Lives, da sul-coreana radicada nos EUA Celine Song, uma dramaturga estreando em grande estilo no cinema, e o mexicano Tótem, de Lila Avilés, que foi premiada apenas pelo júri ecumênico.

A premiação completa, incluindo prêmios paralelos e de outras seções, pode ser acessada no site do festival: berlinale.de