21/04/2024
Documentário

A Paixão Segundo Martins

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Seguindo na mesma vertente de Nelson Freire, de João Moreira Salles, A Paixão Segundo Martins, da documentarista alemã Irene Langemann, mostra o homem por trás do artista. No caso, o pianista brasileiro João Carlos Martins, um dos mais renomados intérpretes de Bach, reconhecido em todo o mundo.

Muitas vezes comparado ao pianista Glen Gould, Martins começou sua carreira nos anos 1960. Pouco tempo depois, enquanto jogava futebol no Central Park, em Nova York, sofreu um acidente que afetou os movimentos do braço e da mão direita. Essas dificuldades o obrigaram a suspender temporariamente a carreira e investir na atividade empresarial.

Mas a paixão de Martins por seu piano e por Bach foi tão grande que ele superou os maiores obstáculos físicos em nome da música - chegando a tocar apenas com a mão esquerda. Mas o documentário não se detém apenas na carreira do consagrado pianista.

Mostrando a vida privada e pública do músico, a documentarista alemã fez um filme que nunca deixa de ser interessante e que agrada até mesmo aqueles que não conhecem música clássica em profundidade. Isso graças ao enfoque no lado humano do personagem, que nunca é abandonado.

Contando com entrevistas não só do biografado, mas também de celebridades como Pelé e da lenda do jazz Dave Brubeck, o filme traça um painel da vida de Martins e de sua evolução como músico. Porém, o filme não se esquiva de mostrar momentos difíceis da trajetória do artista, até mesmo seu envolvimento em um escândalo político no governo de Paulo Maluf em São Paulo. Também são especialmente dolorosas as cenas que mostram o doloroso tratamento a que foi submetido para recuperar os movimentos na mão debilitada.

A Paixão Segundo Martins é lançado no Brasil depois de uma boa carreira na Europa, onde já foi visto por 350 mil pessoas. O filme também foi premiado em três festivais internacionais: FIPA D'OR, em Biarritz (França), Rocky Award, em Banf (Canadá), e Gold Centaur, em São Petesburgo (Rússia). O documentário mostra cenas de Martins em apresentações com a Los Angeles Philarmonic Orchestra e a American Symphony Orchestra, além do histórico concerto no Carnegie Hall, em Nova York.
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