27/02/2024
Drama

Blackberry

Mike Lazaridis e seu amigo Doug tocam a pequena empresa Research in Motion, no Canadá dos anos 1990. Nerds totais, assim como seus colegas, inventam um pager revolucionário que se tornará capaz de enviar mensagens - o futuro Blackberry, o pioneiro dos smartphones.

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Lançado internacionalmente na disputa de um Urso de Ouro no Festival de Berlim, em fevereiro, Blackberry, de Matt Johnson, adapta o livro Losing the Signal: the Untold Story behind the Extraordinary Rise and Spectacular Fall of the Blackberry, de Jacquie McNish e Sean Sicoff. Mergulha, assim, numa das mais dramáticas histórias do mundo empresarial, a dos pioneiros smartphones Blackberry - que terminaram engolidos pelo advento do Iphone. E se encaixa numa das tendências do cinema norte-americano recente, de resgatar os bastidores de histórias marcantes do mundo empresarial, caso de Air - A História por trás do Logo, que conta o surgimento do famoso tênis de Michael Jordan. 
 
Blackberry traz de volta um enredo talvez menos conhecido dos muitos clientes que viveram a febre desse telefone, nos anos 1990, apresentando a turma de nerds maluquinhos que o inventaram, chefiados pela dupla de amigos Mike Lazaridis (Jay Baruchel) e Doug (Matt Johnson), na pequena empresa canadense Research in Motion, que à primeira vista parece um lugar improvável para o surgimento de um produto que ganharia os mercados de todo o mundo.

Esse começo alternativo e romântico, que logo é apropriado por um executivo tubarão com visão de negócios e muito apetite de lucro, Jim Balsillie (Glenn Howerton), tem, é claro, seu interesse e poderia ter sua graça na tela. Só que não. O diretor prolonga em duas horas uma narrativa à qual falta ritmo, com personagens que não despertam empatia e sem a menor condição de tecer um comentário irônico ou sagaz à ferocidade dos modelos capitalistas, como se vê em O Lobo de Wall Street, para ficar num exemplo. Sintetizando: é um filme arrastado, sem personalidade e cuja seleção para a competição principal em Berlim causou alguma perplexidade. E, para quem já nasceu nos tempos dos smartphones de telas planas, talvez toda essa conversa seja pura e simplesmente datada. 

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