20/02/2024
Romance Drama

Cópia Fiel

Numa cidadezinha italiana, um escritor inglês chega para o lançamento de seu novo livro sobre arte. Ele depois visita uma mulher. A natureza do relacionamento entre ambos será revelada ao longo do filme.

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Quantas línguas fala o amor? Em Cópia Fiel, novo filme de Abbas Kiarostami, pelo menos três – inglês, francês e italiano. Essas várias línguas que se sobrepõem são o símbolo vivo das várias camadas de incompreensão que podem se acumular entre as pessoas, nesta Babel que não é só linguística, mas sobretudo emocional e amorosa.
 
O tempo é outra questão. Especialmente os tempos do amor, visíveis nos vários casais que aparecem no filme - os jovens noivos apaixonados que se sucedem para uma foto junto a uma estátua tida como portadora de sorte; o par maduro que oscila ao longo de todo o filme (Juliette Binoche e William Shimell); e uma dupla de velhinhos que eles encontram perto do final.
 
A questão que dá nome ao filme, bem como seu ponto de partida, é o valor do original e de suas cópias, uma discussão emprestada ao mundo da arte mas que muito bem se aplica a tudo o mais. Inclusive aos sentimentos.
 
Enredando todos estes pontos, o diretor iraniano, em seu primeiro trabalho filmado fora do Irã, teceu em espiral uma narrativa que dialoga consigo mesma – como quando Juliette Binoche discute a natureza do casamento com uma pragmática mulher mais velha (Gianna Giachetti). Da mesma forma, Kiarostami também se nega a entregar muito facilmente a real natureza do relacionamento entre seus protagonistas. Quando o filme começa, eles parecem estranhos unidos pelo acaso. À medida que se desenvolve, aparecem sinais de que existe um antigo relacionamento entre eles.
 
Essa maneira circular de expor seu tema é o grande segredo da magia do filme, que demonstra o engenho raro de sua direção e de sua dupla principal de atores, conduzindo-se este caleidoscópio de sensações com uma inteligência e sutileza exemplares. Não é o tipo do filme que se vê todos os dias. Mas é certamente o tipo que se deseja imediatamente rever. E que se façam outros.

Uma atração à parte é o roteirista Jean-Claude Carrière, ele mesmo um emérito contador de grandes e criativas histórias, atuando numa sequência bem significativa e divertida, na praça da cidadezinha italiana.

 

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