20/02/2024
Documentário

Fevereiros

Todo mês de fevereiro, Maria Bethânia deixa de lado a carreira e tudo o mais, para viajar à sua terra, Santo Amaro da Purificação (BA), onde participa do culto à padroeira e também das festas afro-indígenas típicas da cidade. Também se acompanha a preparação do Carnaval da Mangueira de 2016, quando a cantora inspirou o samba-enredo da escola carioca. No Sesc Digital (de 8/2 a 8/4/2024)

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O documentário de Marcio Debellian revisita Maria Bethânia, cantora tantas vezes retratada, procurando, para isso, uma outra via. Assim, o filme nos leva a compartilhar com a irmã de Caetano um espaço rico, afetiva e imaginariamente, que constitui a essência do sentimento de Bethânia: as ruas de Santo Amaro da Purificação, onde ela nasceu, sua casa materna, seguindo ao lado dela em procissões, rezas, danças e encontros para explicar o que é, afinal, o peculiar sincretismo da intérprete.
 
Fevereiro é um mês marcante em seu calendário pessoal. Não importa o que esteja fazendo, este é o período em que ela tudo abandona e volta para casa, para participar das festas locais, que emendam o culto à padroeira com os festejos impregnados de cultura indígena e africana que caracterizam a cidade do Recôncavo Baiano, um dos pontos do mapa do País a concentrar a maior afluência das populações vindas da África durante a escravidão colonial.
 
Guiados por Bethânia e pelas providenciais intervenções de seus irmãos, Caetano e a poeta Mabel Velloso, mergulhamos neste universo meio mágico, meio profano, que serve de inspiração à cantora, que foi tema do samba-enredo da Mangueira, no Carnaval de 2016. A preparação deste Carnaval, contando com entrevistas do carnavalesco da escola, Leonardo Vieira, da porta-bandeira Squel Jorgea e do historiador Luiz Antonio Simas, igualmente pontuam a narrativa, gerando outro contraponto de festa, agora em solo carioca, para celebração da vida e obra de Bethânia.
 
Números musicais selecionados inserem-se ao longo do filme, com parcerias de Chico Buarque de Hollanda, Gilberto Gil e do incontornável mano Caetano – afinal, como dizia mãe Menininha do Gantois, ele e Bethânia são “a mesma pessoa”. Para entender esta mitologia, assista Fevereiros.
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