27/02/2024
Documentário Curta-metragem

Meeting the man: James Baldwin in Paris

No começo dos anos de 1970, quando o escritor norte-americano James Baldwin havia se imposto um exílio em Paris, ele concedeu algumas entrevistas ao diretor inglês Terence Dixon. As conversas se tornam um confronto do autor em relação a diversos assuntos, como sua produção literária e suas posições políticas.

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Um filme de menos de meia-hora e com tensão suficiente para alimentar vários longas. Assim é o documentário Meeting the Man: James Baldwin in Paris, de 1970, quando o documentarista inglês Terence Dixon viajou até a França para fazer um filme sobre o escritor James Baldwin, que se auto-exilou no país em 1948. A câmera nervosa de Jack Hazan capta os embates entre os dois homens.
 
Na maneira como o filme se arma, Dixon seria o uqestionador, o algoz e Baldwin, sua vítima sempre encurralada. O documentarista se mostra arrogante e prepotente, encostando o escritor contra os muros de Paris, inquirindo-o sobre sua arte, mas, mais do que isso, sobre a questão da negritude. O que é ser um intelectual americano negro que se exilou em Paris? Mais tarde, numa conversa com estudantes, no ateliê de um amigo do escritor, a narração de Dixon comenta: “Enquanto a conversa avançava, o passado de Baldwin como um jovem pregador batista no Harlem ficou aparente.”
 
Poderia ser considerado desrespeitoso o tom que o filme adota, mas a maneira como Baldwin lida com isso só reforça a grandiosidade de sua figura e sua inteligência. Ele evita as armadilhas baratas – embora fique claramente irritado –, e se sai bem batendo o pé por seus ideais e crenças. Impressiona seu uso da língua e da palavra, e sua capacidade de construir pensamentos profundos de maneira tão sucinta sobre raça, política e arte. “Eu não seria um branco americano (...) Eu não gostaria de ter de viver com todas essas mentiras”, diz Baldwin. O resultado é um filme interessante, sobre uma pessoa, claramente, maior do que ele é capaz de dar conta. O premiado documentário Eu não sou seu negro, de Raoul Peck, consegue captar com mais profundidade e generosidade a figura grandiosa do escritor.
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