28/02/2024
Erótico Drama

Pleasure

Disposta a tornar-se a rainha dos filmes pornôs em Los Angeles, a jovem sueca Linnéa, de nome artístico Bella Cherry, chega à cidade, Lá, empenha-se com uma ousadia sem limites para quebrar barreiras, sem ter uma noção exata do que isso pode significar.

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Estreia da diretora sueca Ninja Thyberg em longas e da protagonista Sofia Kappel como atriz, Pleasure é, apesar do título - irônico -, difícil de ver, ainda mais se você é uma mulher. 
 
Expandindo um curta-metragem anterior seu, a cineasta mergulha nos bastidores da indústria pornográfica de Los Angeles, aonde chega, disposta a tornar-se rainha nesse mundo, a jovem sueca de 19 anos Bella Cherry, ou Linnéa, seu verdadeiro nome (Sofia Kappel).
 
Não faltam coragem nem franqueza à diretora para exibir corpos, seios, vaginas e pênis em profusão para mostrar as filmagens das produções em que se envolve Bella, com uma disposição de não temer limites que é assustadora. Acontece que este é um mundo dirigido pelo lucro e regras de poder que não contemplam os mais frágeis e nem mesmo seus astros e estrelas, que têm seus corpos usados à exaustão para produzir produtos de sucesso em velocidade alucinante.
 
Um mistério que é um dos incômodos do filme, exibido em Sundance e premiado em Göteburg e Deauville, é a incerteza quanto às motivações de Bella para este desejo de notoriedade no mundo da pornografia Quando perguntada por alguém, ela disfarça com ironias. É nítido que é opção da diretora não esclarecer isto, talvez procurando evitar julgamentos para sua personagem e focando em outros aspectos - como a crueldade do funcionamento da indústria pornô, em que aparentemente tudo acontece mediante o consentimento de seus atores mas, na verdade, não dispensam mecanismos de pressão e mesmo coerção que os levam a abrir mão de seus limites, um a um, sem o que não poderão sobreviver no ramo. Que é, como se imagina, de alta rotatividade. 
 
Num ambiente em que concorrência entre as candidatas e candidatos ao estrelato neste é feroz, um outro desafio é a impossibilidade de manter laços de amizade. Mesmo assim, Bella acaba ligada à colega Joy (Revike Reustle), que divide o quarto com ela numa casa que abriga as moças. Mas é claro que, mais dia, menos dia, surgem situações que colocam em xeque as melhores intenções. 
 
Mais extrema ainda é a rivalidade de Bella em relação a Ava (Evelyn Claire), a estrela do momento, cujo posto a novata sueca aspira. Não falta iniciativa a Bella para conquistar seu lugar. Uma filmagem entre as duas demonstra, mais ainda, a desumanização que obter esta vitória exige. O final aberto sugere que Bella possa ter entendido isto, afinal. Mas o filme não vai além desse inquietante instantâneo de um mundo não raro chocante e não por motivos eróticos.

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