20/02/2024
Romance Fantasia Aventura

A pequena sereia

Ariel é uma sereia curiosa, especialmente quando se trata de humanos. Quando salva um jovem príncipe que foi vítima de um naufrágio, ela se apaixona por ele. Mas, para viver em terra firme, precisa abrir mão de seu dom do canto e de sua voz.

post-ex_7
A nova velha moda da Disney de reciclar em live-action antigas animações de sucesso e aqui mais uma nada para morrer na praia. A nova versão de A Pequena Sereia, dirigida por Rob Marshall, é tão próxima da original que a primeira pergunta que faz surgir é: pra que? Naturalmente, para ganhar ainda mais dinheiro com um produto que, garantidamente, tem feito altas bilheterias. Fora isso, há pouco que justifique a existência desse filme.
 
A única coisa que torna esse carnaval marinho suportável é a presença de Halle Bailey como a personagem-título. A jovem atriz foi enormemente criticada quando foi anunciada como Ariel – especialmente por ser negra. Houve até uma campanha ridícula na internet, #NotMyAriel, justificando que a seria do conto original de Hans Christian Andersen era nórdica – como se sereias existissem para ter etnia demarcada. De qualquer forma, Bailey brilha em sua primeira protagonista e salva o longa de ser um completo desastre.
 
Certamente, o fundo do mar é colorido e vibrante, os animais criados em computação gráfica são fofinhos e divertidos, e as músicas, como é de se esperar, pegajosas. Nem todas do original foram usadas, e o músico Lin-Manuel Miranda, que também assina como produtor, compôs novas canções – embora nenhuma marcante. Continuam se destacando a melosa “Part of your world” e a animada “Under the sea”, que ganhou o Oscar com o filme original de 1989.
 
Ao centro, uma história, no mínimo, complicada para os padrões de hoje: uma moça – no caso uma sereia que canta – que abre mão se sua voz para ficar com o homem que ama, o Príncipe Eric (Jonah Hauer-King), em terra firme, abandonado o fundo do mar. Para se livrar dessa maldição, ela precisa, sem conseguir falar, fazê-lo beijá-la. A desobediência da sereia despertou a ira de seu pai, o Rei Tritão (Javier Barden), que odeia humanos, responsáveis pela morte da mãe de Ariel. Nem Melissa McCarthy como a invejosa vilã Ursula – uma combinação entre mulher e polvo – tem muito o que fazer a não ser exibir seus tentáculos repletos de lantejoulas.
 
Como as produções recentes da Disney, o resultado é irregular, transitando entre o sentimentalismo barato e a emoção, fazendo uma parada no porto da cafonice entre as duas pontas. Um outro grande problema em A Pequena Sereia é o fundo do mar. As imagens não são das melhores e, em alguns momentos, parece mal acabadas. Num mundo pós-Avatar 2, que, por mais problemas que tivesse, é inegável sua qualidade de imagens na construção da narrativa subaquática, esse defeito é imperdoável. Aqui não há esse cuidado, por isso, o filme melhora consideravelmente quando Ariel se muda para a superfície.
 
Nada indica que a Disney irá abandonar a ideia cada vez mais absurda de refazer suas animações em live-action – O Corcunda de Notre-Dame, por exemplo, está programado para os próximos anos –, afinal as bilheterias têm sido altas (e esse também promete excelentes lucros). Mas, cinematograficamente falando, são ideias e imagens pobres que nadam na mesmice desnecessária.
post