20/02/2024
Ficção científica Fantasia Aventura

Transformers - O despertar das feras

Em meados dos anos de 1990, os Autobots tiveram de se unir aos Maximals para defender a Terra de uma invasão de seus inimigos. Nesse processo, contam o a ajuda de dois humanos: um jovem chamado Noah Diaz e uma aspirante a arqueóloga, Elena.

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A franquia de filmes Transformers nunca foi, exatamente, conhecida por sua complexidade ou qualidades cinematográficas. Mas, ao menos enquanto Michael Bay era o diretor dos filmes, havia, no mínimo, senso de espetáculo. Aqui, sob a batuta de Steven Caple Jr. (Creed 2), nem isso. Os carrinhos que viram robôs e, nesse caso, também robôs-animais não têm energia, numa trama soporífera e com efeitos digitais de qualidade questionável.
 
Como é comum no gênero, em Transformers: O Despertar das Feras há um senso de nostalgia, com um enredo situado em meados nos anos de 1990, em outros Estados Unidos, um do passado, no qual as Torres Gêmeas ainda estavam de pé, como o filme faz questão de mostrar mais de uma vez. Entre os seres digitais e os humanos, o elo é Noah Diaz (Anthony Ramos), jovem de ascendência cubana, que vive no Brooklyn com a mãe (Luna Lauren Velez) e o irmão pequeno (Dean Scott Vazquez), que sofre de uma doença autoimune. A família está sem dinheiro para pagar o tratamento.
 
Nesses lances que só acontecem em filme, ele se une a um ladrão local para roubar um Porsche, que, também como  só acontece no cinema, é na verdade um robô. Os dois se tornam grandes amigos, e Noah torna-se a última esperança da humanidade, ao lado de uma jovem arqueóloga, Elena (Dominique Fishback), que desvendou um curioso código alienígena que pode impedir que as feras-robôs de outro planeta destruam a Terra.
 
No roteiro escrito por cinco pessoas, é tudo meio vago e confuso, como se não dependesse de uma trama para o filme acontecer. Reclama-se muito de filmes baseados em videogames, que costumam ser muito simples, mas, ao menos, há uma linha narrativa. Aqui, nem isso. São carrinhos que se transformam em robôs, e só.
 
Os personagens negros e os de origem latina claramente mostram onde o filme espera encontrar sua fatia da bilheteria, mas, para além disso, não há nada que os diferencie dos anteriores, ou lhes dê uma particularidade identitária. Nesse sentido, Ramos e Velez ainda estão à espera de algo mais à altura de seus claros talentos.
 
Transformers: O Despertar das Feras estabelece seu padrão bem baixo, e não se preocupa, em nenhum momento, em elevar qualquer coisa – ao menos, poderia ser visualmente, uma vez que intelectualmente nem tenta mesmo. Os personagens robôs são destituídos de carisma e suas piadas, sem graça. Tudo é um tanto desanimador aqui, ninguém parece empolgado com o projeto – a começar pelo diretor – o que faz, estranhamente, sentirmos falta de Michael Bay.
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