20/02/2024
Infantil Animação

Gatos no museu

Vincent é um gato que cai de um navio e vai morar no museu Hermitage, em São Petersburgo, depois de fazer amizade com um rato, Maurice. Mas, ao chegar lá, é pressionado a integrar o bando de gatos vigilantes, que perseguem os ratos que destroem as obras do museu.

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Captando sua inspiração na história real dos gatos que protegem o acervo do museu Hermitage, na Rússia, desde o século 18, a animação Gatos no Museu, de Vassiliy Rovenskiy, inverte a tradição e as expectativas ao retratar a inusitada amizade entre um gatinho e um rato. 
 
Vincent, o gatinho, tinha uma vida boa a bordo de um barco, mas caiu no mar durante uma tempestade. Aportando numa ilhota deserta, torna-se o rei do lugar e vive numa boa até que outros desastres destroem a ilha e ele se vê novamente lançado às ondas - onde se afogaria, não fosse a providencial ajuda de Maurice, um ratinho alojado num velho piano, que se torna o abrigo da dupla.
 
Recolhidos dentro do piano, eles vão parar no museu Hermitage, em São Petersburgo. Um destino que parece providencial para Maurice, que descende de uma longa linhagem de roedores especializados em arte, ou seja, em devorar pinturas. O inocente Vincent, que não tem a menor ideia da histórica ferocidade felina contra os ratos, por sua vez, é recrutado pela trupe de gatos que vigia o acervo do Hermitage - uma tradição criada no século 18 pela imperatriz Isabel Petrovna, mostrando-se o mais eficiente método de controle contra os danos dos roedores às muitas preciosas pinturas que ele abriga.
 
A partir daí, Vincent está num dilema. Não pode trair o amigo Maurice, que lhe salvou a vida, e o protege dos olhares famintos de seus colegas felinos. Por outro lado, não pode permitir que o ratinho devore as valiosas pinturas do museu, caso contrário ele e os demais gatos perderão seu emprego e seu abrigo. Mas não é fácil conter o apetite de Maurice, ainda mais agora que ele descobriu que nada menos do que a Mona Lisa de Leonardo da Vinci está para chegar para uma exposição temporária.
 
O roteiro, assinado pelo diretor, Elvira Bushtets e Fedor Derevyansky, é ágil na criação de incidentes e aventuras no caminho do espevitado Vincent, que ainda tem que se defrontar com um misterioso fantasma do museu, além de ter um encontro marcado com o primeiro amor - no caso, com a gatinha Cleópatra. Não falta humor à história e, o que é ainda melhor, o retrato dos felinos é muito mais honesto do que a média dos filmes sobre esses belos animais, normalmente vítimas de toda espécie de difamação, que os torna quase sempre vilões. 
 
Os traços da animação, obra do estúdio Skazka, são caprichados e coloridos, oferecendo um contraponto digno ao universo comandada pelos grandes estúdios norte-americanos. 
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