20/02/2024

Num futuro sombrio, em 2036, as pessoas são capazes de viver até 120 anos, numa sociedade gerida pela Agência Saúde e Vida Eterna. Ainda assim, há desigualdade e privilégios. Um grupo de jovens, integrado pelo pintor Yozo Oba e seu amigo Takeichi empenham-se numa arriscada rebelião.

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A animação japonesa futurista adapta o livro No Longer Human, de Osamu Dazai, de 1948 - época em que todas as sacadas que ele imagina seriam mesmo extraordinárias. Mas a adaptação recente do diretor Fuminori Kizaki, a partir do roteiro de Tow Ubukata, não esconde a dificuldade de criar personagens capazes de gerar empatia, apesar do visual caprichado. 
 
O ano é 2036. A humanidade superou a maioria dos problemas médicos, mostrando-se capaz de viver até os 120 anos - pelo menos essa é a média de vida dos Qualificados, uma espécie de conselho de anciãos que domina a sociedade com o apoio da agência Shibuta, que mantém em funcionamento essa complexa rede de saúde e vida eterna.
Àqueles que não fazem parte da elite dos Qualificados, nem mesmo é permitido morrer. Quaisquer acidentes que sofram são rapidamente monitorados e seus corpos, reconstruídos. Mas isso somente proporciona uma realidade em que eles não passam de virtuais robôs, trabalhando 19 horas por dia e sem possibilidade de escapar a esse script determinista.
 
Aqueles que destoam do padrão tornam-se rapidamente Perdidos, num reencontro com sua essência humana capaz de torná-los monstros e alvos de rápida destruição. Querendo encontrar uma brecha nesse estado de coisas, o jovem pintor Yozo Oba e seu amigo Takeichi, acompanhados de uma trupe de motoqueiros, tentam invadir o “lado de dentro”, aonde vive a elite e até mesmo o ar é mais respirável.
 
A tentativa de rebelião coloca em xeque toda essa realidade, em que se defrontam os poderes de três Candidatos - aqueles capazes de oferecer uma nova curva à civilização, ou seja, um futuro, quer leve à destruição de tudo ou a uma restauração. Eles são o próprio Yozo, a moça Yoshiko Hiiragi e um cientista renegado, Masao Horiki, que foi, aliás, o criador de todo este universo e agora está empenhado em destruí-lo.
 
Não é simples acompanhar as inúmeras tecnicalidades da história, que aposta em visuais sombrios, envolvendo as lutas entre seres fantásticos. No entanto, esta ação vertiginosa, impregnada de histórias familiares violentas e pouca interação humana, termina por tornar difícil até a compreensão no tempo condensado do filme, 1h50.

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