Vai E Vem é um documentário experimental que nasce de um momento muito claro em 2020, quando começou a pandemia, e as amigas e cineastas Fernanda Pessoa e Chica Barbosa queriam manter um diálogo de forma criativa e instigante, que não só abordasse suas ansiedades sobre fazer cinema, mas, também, sobre os países onde moram, Brasil e Estados Unidos, respectivamente.
O filme parte de cartas-ensaios, produzidas por cada uma delas, que estabelecem um diálogo no tempo e espaço, falando de suas realidades. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro tinha um comportamento a cada dia mais assustador em relação à pandemia. Ao mesmo tempo, ainda com o lockdown, aconteciam protestos. Nos EUA, o presidente local, Donald Trump, não agia muito diferente e, além disso, estava numa corrida da campanha presidencial.
O filme que se vê é um experimento formal sobre como duas jovens cineastas tentam dar conta dos absurdos da realidade enquanto também investigam as possibilidades do cinema. Há, por exemplo, gatilhos para todos os lados: de pandemia a política, mas nada disso, é óbvio, nem diminui o filme, que retrata aquele presente confuso e assustador.
Como base para os ensaios, Pessoa e Barbosa partem do livro Women’s Experimental Cinema, organizado pela professora americana R. Blaetz, que traz 16 artigos, cada um sobre o trabalho de uma cineasta mulher do experimental. Elas iriam se inspirar no trabalho dessas profissionais para criar os seus próprios vídeos.
Como todo filme experimental, Vai E Vem depende da adesão à proposta e o interesse no tema. Há momentos um tanto exigentes, mas Pessoa e Barbosa têm algo a dizer sobre o mundo em que vivemos a partir do olhar para o passado recente.
Leia entrevista com as diretoras Fernanda Pessoa e Chica Barbosa:
Um documentário que nasceu da pandemia e de cineastas experimentais