20/02/2024
Drama

De volta à Córsega

Khedidja abandonou a Córsega há 15 anos atrás. Retornando, por motivo de trabalho, com as duas filhas adolescentes, ela vai reencontrar as pontas de uma história familiar interrompida.

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A diretora Catherine Corsini retorna ao melodrama - que ela frequentou em A Fratura (2021) e Um Amor Impossível (2018) - com um pouco mais de leveza - em De Volta à Córsega, que concorreu na competição de Cannes/2023. No centro da trama, uma família de mulheres, formada por Khedidja (Aissatou Diallo Sagna) e suas duas filhas. Ela deixou a Córsega, abandonando o marido quando as meninas eram pequenas, e volta, muitos anos depois, para trabalhar como babá nas férias na casa de um casal seu conhecido (Virginie Ledoyen e Denis Podalydès). 


Há um drama envolvido em sua fuga, que ela encobre das filhas neste retorno, que expõe a pequena família a diversos choques com o novo ambiente - inclusive o racial, para estas mulheres negras, num microcosmo marcado por inúmeras contradições.

As duas filhas, com suas personalidades opostas, fornecem a chave para que a história caminhe. Jessica (Suzy Bemba), a mais velha, é séria, estudiosa e vai cursar uma universidade de prestígio. Farah (Esther Gohourou), a caçula, não gosta de estudar, mas é esperta e se torna uma surpresa dentro do filme, dadas as camadas que esta jovem atriz é capaz de extrair de sua personagem.

Uma outra jovem no ambiente é Gaïa (Lomane de Dietrich), a filha do casal que emprega Khedidja, cuja inadequação em sua própria família é um gatilho para que toda a hipocrisia desta classe média alta seja exposta de maneira exemplar.

Cobrindo uma vasta gama de assuntos, inclusive a homossexualidade feminina, esta é uma história envolvente, apesar de alguns excessos, comuns à diretora. O trio principal de atrizes, especialmente, é uma força que dá autenticidade ao retrato deste pequeno e autêntico núcleo familiar.

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