20/02/2024
Drama Biografia

Maestro

Genial maestro e compositor, Leonard Bernstein tem um casamento conturbado com Felicia Montealegre, traindo-a frequentemente e dando mais atenção à música do que à família.

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Como em sua estreia na direção, Nasce uma estrela, em Maestro, Bradley Cooper se incumbe de dupla função: ator e diretor. E novamente faz um filme sobre o universo da música pautado pelo relacionamento amoroso de seus protagonistas. Mais uma vez, o resultado é um filme com muita ambição, algum estilo e completamente fora de prumo.  

Se naquele outro longa, ele lidava com personagens fictícios, aqui ainda há o peso das figuras reais de Leonard Bernstein (Cooper) e Felicia Montealegre (Carey Mulligan). O filme não se esquiva de abordar a bissexualidade do compositor e maestro, mas também não encontra a melhor maneira de retratar esse lado de sua personalidade. Poderia estar ao centro do palco, mas não é essa a escolha de Cooper, que assina o roteiro com Josh Singer. E também não é um problema não ser algo central, a questão é exatamente a maneira envergonhada como se lida lida com isso.  

A dúvida existencial de Maestro é exatamente se retrata a vida pessoal ou a arte de Bernstein, um sujeito tão genial quanto egoísta e tóxico. O filme para em algum lugar no meio do caminho, sem satisfatoriamente abordar qualquer um dos dois lados, cobrindo a vida e a carreira dele desde meados dos anos de 1940 até a década de 1980 – o biografado morreu em 1990. 

Claramente, Cooper não está atrás de uma cinebiografia convencional. A moldura da narrativa é exatamente o casamento entre Bernstein e Montealegre, uma jovem americana de ascendência chilena. Os dois casaram-se  em 1951 e tiveram três filhos. Por mais profunda que seja a conexão deles, Felicia serve ao papel de esposa sofredora que deve se conformar com a toxicidade do marido porque, afinal de contas, ele é um gênio e ninguém o deve perturbar.  

Aí entra outra questão. É preciso nos convencer de que esse personagem é realmente um gênio. Sabemos que o Bernstein real era, mas e esse? O filme pouco se esforça para isso. Excetuando alguns concertos aos quais o protagonista termina coberto de suor, pouco há para convencer do seu brilhantismo. Uma de suas obras mais famosas, Amor, sublime amor, é mencionada quase de passagem, num episódio que se perde no filme.É impossível não comparar Maestro ao bem-sucedido Tár, no qual Cate Blanchett interpreta uma maestrina tão genial quanto prepotente. O filme era tão bem conduzido e interpretado que gerou uma avalanche de pesquisas na internet se essa era uma personagem real. Aqui é tudo tão destituído de potência, tudo tão óbvio, que é de se pensar se Bernstein era mesmo uma figura real para Cooper, ou apenas uma possibilidade para ganhar prêmios – algo que, até agora, não aconteceu.

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