20/02/2024
Suspense Drama

O sequestro do voo 375

Frustrado com o desemprego e a crise econômica, em 1988, Nonato sequestra um avião comercial da VASP e planeja que o piloto jogue a aeronave no Palácio do Planalto para matar o presidente José Sarney.

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Um episódio dos anos de 1980, com ares de atentado terrorista, mas, no fundo, só desespero social, torna-se o centro da ação no brasileiro O sequestro do voo 375, de Marcus Baldini. O filme começa resgatando o processo de redemocratização e culmina com José Sarney subindo a rampa como presidente depois da morte de Tancredo Neves, em 1985. 

A narrativa histórica parece, realmente, ser importante ao longa, pois continua seguindo no resgate de fatos que marcaram o país na época, como a crise econômica. Essa é, aliás, a desculpa do filme para que o paraense Nonato (Jorge Paz) sequestre um Boeing 737-317 da VASP, que tinha como destino o Rio de Janeiro. O que ele pede, no entanto, é para desviar a rota e jogar o avião no Palácio do Planalto, para matar o presidente. 

O embate central é entre o comandante Murilo (Danilo Grangheia), em seu primeiro voo após dois meses de advertência por liderar uma greve pelos direitos dos pilotos e trabalhadores dos aeroportos. Ele logo surge, então, como uma espécie de figura heroica, mas sem, obviamente, ser romantizado. 

Transitando entre dentro do avião e as tentativas de diversas pessoas em terra para resolver o sequestro, a trama acaba se diluindo. É interessante que o filme queira cobrir vários lados desse episódio, desde uma controladora de voo que é a primeira pessoa a ser avisada do sequestro, à comitiva de Sarney que traça um plano de contingência para salvar a vida do presidente.

É nesse vai e vem que O sequestro do voo 375 se perde. É personagem demais com pouca profundidade para que alguém se importe com eles – especialmente dentro do avião. Com exceção do sequestrador, do piloto, do copiloto (César Mello), e alguns e algumas comissárias de bordo, pouco importa quem é a vítima ali. Em terra também não é muito diferente. Os personagens são mais tipos do que figuras humanas. 

É, enfim, um filme de ação sem muita ambição estética, embora esforçado no departamento técnico. Teria muito a ganhar se a ação se concentrasse exclusivamente no interior do avião, especialmente pelo fato de o design de produção do filme ser excelente em sua reconstituição não apenas do interior da aeronave com também do aeroporto.

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