34ª. Mostra Internacional de São Paulo

Com “A árvore”, diretora francesa lida com perdas pessoais

Alysson Oliveira

Com “A árvore”, diretora francesa lida com perdas pessoais
Quando a diretora francesa Julie Bertucelli começou a trabalhar no seu segundo filme, A Árvore, ela não esperava que uma infeliz coincidência a unisse à personagem central, interpretada por Charlotte Gainsbourg (Anticristo). O filme trata da história de uma mãe viúva e seus filhos pequenos lidando com a perda do pai. “Meu marido [o diretor de fotografia Christophe Pollock] morreu quando eu escrevia o filme [em 2006]. Precisei seguir em frente. Não queria abandonar o projeto e também precisava cuidar das minhas crianças”, contou ao Cineweb
 
Foi um período difícil, que Julie encara com respeito e alívio. “Fazer o filme me ajudou a compreender muita coisa, a entender como lidar com muitas coisas, com meus filhos”. Porém, ao contrário de uma das crianças do filme, os filhos da diretora nunca pensaram que seu pai havia reencarnado numa árvore. “Usamos isto como uma metáfora muito forte. É um modo de dizer que a natureza é mais forte do que a gente”. E não faltam forças da natureza em A Árvore, que foi o filme de encerramento no Festival de Cannes, em maio passado.
 
A princípio, a diretora, que tem em seu currículo Desde que Otar partiu, ganhador do Grande Prêmio da Semana da Crítica, em Cannes 2003, gostaria de adaptar o romance “O Barão nas árvores, do escritor italiano Ítalo Calvino. Quando descobriu que o escritor, que morreu em 1985, proibira que qualquer obra sua fosse levada ao cinema, Julie procurou outros romances com que pudesse trabalhar. Foi um amigo quem lhe deu o australiano “Our father who art in the tree” [Pai nosso que estais na árvore], de Judy Pascoe. “Assim que li, fui à Austrália em busca dos direitos para filmar. Era uma história muito sensível e sutil, que me tocou a fundo”.
 
A cineasta precisou achar um parceiro australiano para coproduzir o filme, que foi rodado na região de Queensland, no nordeste da Austrália. Seus filhos estiveram com ela praticamente o tempo todo. “Sempre os levo comigo, pois fico me lembrando o tempo todo de que a vida é mais importante do que o cinema. A família é mais importante do que o trabalho”. Eles acabaram fazendo figuração no longa e até vieram para São Paulo com ela.
 
“Eu incentivei todos da equipe a levarem seus filhos para o set. Tanto o elenco, quanto os técnicos. Criamos uma atmosfera muito familiar. As crianças se tornaram amigas. Elas trouxeram um clima de energia, uma liberdade”, conta. Ela explica que precisava disso também para criar intimidades com os atores mirins do filme. “Essas crianças precisavam confiar em mim para que o trabalho rendesse”.
 
Mesmo depois de encerradas as filmagens, de volta para sua casa em Paris, Julie ainda mantém contato com os pequenos atores de A árvore. “Trocamos e-mails, falamos sobre o filme e a carreira deles. Eles se empolgaram de saber que o filme vai passar no Brasil”. O longa deve chegar aos cinemas do país ainda este ano.
 
Atualmente, Julie não pensa num próximo projeto. Depois de viajar a diversos festivais com o filme e os filhos, ela agora está se concentrando em seu novo bebê, que nascerá em março. “A experiência com a maternidade, creio, será bastante diferente agora. Depois de tudo o que passei, inclusive o filme, acho que me tornei uma mãe melhor.”
 
Depois de sua passagem por São Paulo, no começo da semana, e antes de voltar à França, Julie foi visitar algumas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e Paraty. “Já filmei na Geórgia [Depois que Otar partiu] e na Austrália. Adoro trabalhar em outros países, conhecer novas culturas. É um desafio. Agora quero aprender português e fazer um filme no Brasil.”
 
A ÁRVORE
ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA 1
Sessão: 793 (Sexta)
29/10/2010 - 16:00

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