34ª. Mostra Internacional de São Paulo

Vencedor da Palma de Ouro, “Tio Boonmee...” evoca realismo fantástico

Neusa Barbosa

Uma das grandes atrações da programação desta quinta na Mostra é a primeira exibição de “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas”, nova fantasia do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, que venceu a Palma de Ouro em Cannes em 2010.

Quem quiser assistir ao filme vai ter que se esforçar. Os ingressos antecipados já se esgotaram, tanto na Central da Mostra quanto no Ingresso.com, para os dias 28 e 29. Só resta uma pequena cota para estes dois dias, que será vendida apenas nos próprios cinemas. Tudo indica que o mesmo ocorrerá nas demais exibições, previstas para os dias 30 e 31 de outubro e 2 de novembro.
 
Por mais fantástica que seja a história de “Tio Boonmee...”, marcada por um clima bastante surreal – como “Mal dos Trópicos”, um dos trabalhos do diretor, cuja obra nunca foi lançada comercialmente no Brasil -, há pelo menos um dado indiscutivelmente verídico: o Boonme citado no título é uma pessoa real, um monge que o diretor conheceu e é o autor de um livro relatando suas memórias de vidas passadas, em que ele teria encarnado, entre outros seres, uma vaca.
 
Em seu roteiro, Apichatpong apropria-se desta crença, comum entre os camponeses da Tailândia. O que se vê na tela é um mergulho nas inusitadas vivências de Boonmee (Thanapat Saisaymar) e das pessoas que o cercam – inclusive o fantasma de sua mulher, Huay (Natthakarn Pongpas), e o filho dele, Boonsong (Geerasak Kulhong), que se transformou num macaco-fantasma, com o corpo todo coberto de pelos negros e olhos vermelhos.
 
Essa mitologia não é simples de digerir – especialmente na primeira aparição dos macacos-fantasmas e numa bizarra cena de sexo aquático, entre uma velha princesa e um peixe falante (que evocou uma cena semelhante, vista no filme de Pedro Almodóvar, “Ata-me!”, envolvendo a atriz Victoria Abril e um mergulhadorzinho de brinquedo). Originalidade, por outro lado, não falta ao filme e isto, por si só, garante ao diretor tailandês uma legião de fãs entre os cinéfilos.
 
Indiscutivelmente, há bastante humor no filme de Apichatpong e até um comentário político – como quando, numa sequência perto do final, refere-se a um sonho do protagonista, que aborda um futuro em que as autoridades teriam o poder de fazer as pessoas desaparecerem. Talvez a Tailândia seja mesmo, como a América Latina, uma terra em que o realismo fantástico é matéria-prima do cotidiano.
 
TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS
(LUNGBOONMEE RALUEK CHAT)
de Apichatpong Weerasethakul (113').
REINO UNIDO, TAILÂNDIA, ALEMANHA, FRANÇA, ESPANHA.
Falado em tailandês.Legendas em português.
Indicado para: 18 anos.
 
Em exibição:
 
RESERVA CULTURAL 1
Sessão: 656 (Quinta)
28/10/2010 - 22:00
 
UNIBANCO ARTEPLEX 3
Sessão: 719 (Sexta)
29/10/2010 - 23:10
 
UNIBANCO ARTEPLEX 1
Sessão: 819 (Sábado)
30/10/2010 - 17:50
 
RESERVA CULTURAL 1
Sessão: 988 (Domingo)
31/10/2010 - 19:20
 
UNIBANCO ARTEPLEX 2
Sessão: 1120 (Terça)
02/11/2010 - 21:00

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