Repescagem traz alguns destaques da Mostra

Começam as exibições do vencedor de Cannes, "The Square"

Neusa Barbosa e Alysson Oliveira

 The Square
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2017, o drama do diretor sueco Ruben Östlund (Força Maior) é um primor de composição, ritmo e acuidade na exposição de alguns dos mais dramáticos temas contemporâneos.
Seu protagonista é Christian (Claes Bang), um poderoso curador de um grande museu cuja vida gravita num ambiente privilegiado. Christian tem poder e gosta de usá-lo neste universo controlado, governado por tendências abstratas e grandes patrocinadores. A partir de um incidente comum, este controle começa a rachar. O curador é assaltado, de maneira engenhosa, na rua. Rastreando a localização de seu celular num prédio, ele segue um plano mirabolante de um jovem subordinado, Michael (Christopher Laesse), para recuperar os itens roubados, inclusive sua carteira e abotoaduras.
 Esta sua incursão fora do figurino do bom senso e do politicamente correto que o envolvem serve para que a história comece a expor as rachaduras de um mundo insensível e comprometido apenas com sua própria lógica excludente – e não serão por acaso os diversos encontros do curador com mendigos pelas ruas elegantes de Estocolmo.
O título – The Square (O quadrado) – refere-se a uma obra, cujo conceito guiará a nova exposição pretendida pelo museu, para a qual se planeja uma campanha midiática capaz de viralizar na internet. A confluência dos efeitos desta campanha com a atitude de Christian para recuperar seus objetos sustenta um roteiro hábil em extrair as contradições de alguns dos setores mais influentes do mundo moderno, como os colecionadores de arte e os ricos patrocinadores dos museus. Melhor ainda é que a história encontra, cada vez mais, o humano por trás destas grandes aparências e de rituais engomados.
No elenco, Elisabeth Moss como uma jornalista que entra na vida de Christian. (Neusa Barbosa)
 
CINE CAIXA BELAS ARTES SALA 3          25/10/17 - 21:20
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 27/10/17 - 17:20
CINEARTE 1                              29/10/17 - 21:15
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   30/10/17 - 19:20
CINESESC                                01/11/17 - 19:10 
 
 Lindy Lou, jurada número 2
Dirigido pelo francês Florent Vassault, o documentário é uma contundente reflexão sobre os efeitos da pena da morte, a partir da extraordinária história de Lindy Wells. Mulher de meia-idade, moradora do Mississippi, ela vive obcecada por sua participação num júri que, há cerca de 20 anos, condenou à morte um assassino, Bobby Wilcher.
Não que Lindy tenha dúvida sobre a culpa de Wilcher. Mas, depois de ter participado da votação que culminou com sua execução, ela se tornou mais reflexiva sobre a responsabilidade de uma situação assim. Deste modo, parte em busca de outros jurados, com quem compartilha ideias e sentimentos, procurando respostas a uma inquietação que ela não tinha em relação à própria pena capital.
O filme acompanha de perto os movimentos desta mulher muito sincera, que foi capaz de deslocar-se de sua posição, tomando atitudes que mesmo amigos e familiares desaprovaram ao longo do caminho – como aproximar-se do próprio Wilcher, na cadeia. É um filme poderoso de ideias e contrapontos, a partir desta personagem rara.  (Neusa Barbosa)
 
CINEARTE 2                              25/10/17 - 19:40
INSTITUTO MOREIRA SALLES - PAULISTA     26/10/17 - 15:45
 
 Hippies soviéticos
O documentário da estônia Terje Toomistu resgata histórias de antigos hippies do outro lado da Cortina de Ferro. Crianças solidamente educadas para o comunismo, vários deles procuravam em fragmentos da cultura do Ocidente que penetravam o fechado bloco soviético – como alguns raros discos contrabandeados dos Beatles e Rolling Stones – inspiração para sua dissidência jovem.
Cultivando cabelos longos e um tipo possível de contra-cultura, chegavam a roubar fios de cabines telefônicas para poder trocar cordas de suas guitarras. Por sua atitude rebelde, muitos foram submetidos a prisão ou tratamentos forçados, por exemplo, com insulina, o que provocava choque cerebral e convulsões.
Décadas depois, os sobreviventes dessa onda compartilham memórias desses tempos. Alguns deles continuam rebeldes, agora protestando contra Vladimir Putin e o neo-fascismo. (Neusa Barbosa)
 
MIS - MUSEU DA IMAGEM E DO SOM          25/10/17 - 16:30
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3   28/10/17 - 19:40
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 6   30/10/17 - 18:45
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1   01/11/17 - 17:30
 
 Beijos de Borboleta
Ganhador do principal prêmio na mostra Geração do Festival de Berlim, que exibe filmes protagonizados por crianças ou adolescentes, o inglês Beijos da Borboleta é um típico exemplar de realismo social do cinema de seu país. Com uma fotografia em preto e branco de alto contraste, assinada por Nick Cooke, o longa também evoca a New Wave inglesa dos anos de 1960, com uma juventude em busca de seu lugar no mundo e de um rumo na vida.
O ponto forte da direção do estreante Rafael Kapelinski é a direção de atores – em especial, seu protagonista Jake (Theo Stevenson, ex-ator mirim que se firma como uma promessa do cinema inglês). O rapaz faz parte de um grupo de garotos da mesma idade e se destaca como o tímido e sensível que, para ganhar um dinheiro, trabalha como babá de uma menina que mora no prédio em frente ao seu, e também sente falta de seu pai que abandonou a família
A chegada de uma nova garota no bairro, Zara (Rosie Day), o leva a pensar que está apaixonado. Não é apenas vontade de perder a virgindade com ela de uma vez, é vontade de a levar para jantar, de a apresentar à sua mãe. Eles moram num conjunto habitacional no sul de Londres, repleto de famílias de classe média a baixa.
Do último andar de seu prédio, Jake consegue ver a janela do apartamento de Zara, observando-a quase que diariamente. Assim, sua paixonite se transforma em algo sério. Ela, por sua vez, não está muito interessada em nada muito formal, quer curtir sua juventude.
Jake, no entanto, tem um segredo que, quando vem à tona, parece um tanto gratuito, mas faz sentido em alguns detalhes. Trabalhando a partir de um roteiro de Greer Ellison, Kapelinski transita entre a comédia e o drama com segurança, esmiuçando o cotidiano melancólico e sem rumo do protagonista e seu grupo de amigos. O que o filme faz nesse movimento é transformar a dinâmica entre presa e predador.
Kapelinski constrói em fogo brando sua trama. O primeiro interesse de Beijos da borboleta é o cotidiano do grupo de garotos. Leva um tempo até o filme se interessar exclusivamente por um deles, e passar a acompanhá-lo. A cada cena, então, se torna menos cômico e mais sombrio. Nessa dinâmica, desvenda um personagem tão complexo quanto humano. (Alysson Oliveira)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 -25/10/17 - 17:40
CINUSP NA ECA - USP -31/10/17 - 16:00
 
 Ao redor de Luisa
O título do longa suíço é revelador. Luisa, a protagonista interpretada com paixão e verve por Pieta Brown, é o ponto de fuga que irradia a força e a narrativa do filme, escrito e dirigido por Olga Baillif. O resultado não seria tão bom não fosse a presença magnética da cantora e atriz no papel principal.
Luisa e sua banda indie – que inclui o namorado guitarrista, Julien (Bertrand Belin) – excursiona por pequenas cidades da Europa, até o dia em que o pai dela, Maurice (Johan Leysen), a procura para revelar que está com câncer e os dias contados. O mundo desaba, mas a protagonista não abandona a estrada. Porém, recoloca sua vida numa nova perspectiva.
Entre uma apresentação musical e outra, ou na estrada, Luisa repensa seu presente e as escolhas que a levaram até ali. Ela está feliz? Ainda ama Julien? A parceria parece não render tantos frutos, ela pensa até em compor sozinha.
O filme intercala apresentações musicais e os dilemas de Luisa. Pietra e Belin são músicos, além de atores, e, com isso, foram capazes de se apropriar dos personagens com propriedade. Os shows da banda são competentes e suas canções realmente boas, a ponto de serem praticamente personagens do filme. (Alysson Oliveira)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4 - 25/10/17 - 15:45
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 - 28/10/17 - 13:30

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