Repescagem traz alguns destaques da Mostra

A joia de Agnès e novidades do Brasil, Turquia e Irlanda

Equipe Cineweb

 A quinta-feira reserva uma pequena joia, como o novo filme de Agnès Varda, Visages, Villages, o candidato irlandês na disputa do Oscar estrangeiro, Canção de Granito, o drama turco Além e os brasileiros As boas maneiras, premiado no Rio e em Locarno, e Não devore meu coração. Confira:
 
Visages, Villages 
Assista ao trailer
Vencedor do prêmio Olho de Ouro como melhor documentário no mais recente Festival de Cannes, o novo filme da veterana Agnès Varda, uma parceria com o jovem fotógrafo JR, é um bálsamo em forma de filme.
Ela com 89 anos, ele com 33, juntos embarcam numa viagem por pequenas cidades do interior da França em busca do que o título do filme entrega de saída: rostos, lugares. Os dois interagem com os moradores de diversas dessas vilazinhas interioranas, resgatando personagens únicos, como a senhora que é a última moradora de uma vila de mineiros e se recusa a abandonar o conjunto residencial, hoje vazio; o homem que cultiva sozinho cerca de 800 hectares; dois pastores de cabras com visões muito diferentes sobre o manejo dos animais; e esposas de portuários do enorme porto de Le Havre.
 O filme é feito das conversas com essas e outras pessoas, que vão se tornando objeto das fotos de JR, que as transforma em gigantescos painéis que vão sendo colocados em casas, galpões, fábricas, caixas d’água, vagões de trem, alterando a paisagem com uma intervenção artística que reforça a identidade destes inúmeros rostos anônimos que fazem a vida cotidiana acontecer.
Uma atração à parte são as conversas entre Agnès e JR, dois artistas que se comunicam, provocam, correspondem de uma maneira que prova que a idade é uma questão de espírito. A música e a animação dos créditos são outras pérolas dentro da pequena joia que é este filme. (Neusa Barbosa) 
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA SALA 1 26/10/17 - 19:50
SESC BELENZINHO                         27/10/17 - 19:00
CIRCUITO SPCINE - BIBLIO. ROBERTO SANTOS 29/10/17 - 18:15 
 
 Não devore meu coração
Numa pegada que incorpora mais toques realistas do que seus filmes anteriores – A Fuga da Mulher-Gorila e A Alegria, com codireção de Marina Meliande -, Felipe Bragança realizou, em Não devore meu coração uma coprodução entre Brasil, França e Holanda que entrelaça o romance juvenil, o comentário histórico e referências a filmes de gênero, entre o fantástico e a aventura policial de motocicleta.
Já não é de hoje que o diretor procura um cinema assim, multifacetado e cheio de arestas, remetendo a incômodos nas próprias situações a que se refere – e que aqui partem da inspiração livre em contos de Joca Reiners Terron. É, até literalmente, um cinema de fronteira, ambientado numa cidadezinha entre o Paraguai e do Brasil, onde indígenas guaranis enfrentam brasileiros, ainda impregnados dos ressentimentos da malfadada Guerra do Paraguai, em que o Brasil, vitorioso, promoveu um massacre no século 19.
No meio disso, nasce um romance entre o menino Joca (Eduardo Macedo) e a índia Basano (Adeli Benitez), que nada tem de adocicado, até porque a garota resiste ao envolvimento com o garoto, irmão de Fernando (Cauã Reymond), violento agroboy local.
O título poético refere-se à magia inerente a essa cultura indígena, que persiste no fundo da memória, cada vez mais sitiada por uma realidade social inóspita à superação de conflitos, porque não permite o nascimento de nenhuma forma de integração entre essas populações diferentes, em disputa de espaço, território, riqueza, domínio.
Um problema é a articulação de todas essas camadas que a história atinge, que se sobrepõem mais bruscamente do que seria adequado à sua fluência.  (Neusa Barbosa)
 
CIRCUITO SPCINE JAMBEIRO                26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE PERUS                   26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE QUINTA DO SOL           26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE PARQUE VEREDAS          26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE JAÇANà                 26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE SÃO RAFAEL              26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE VILA DO SOL             26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE CAMINHO DO MAR          26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE TRÊS LAGOS              26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE BUTANTà                26/10/17 - 19:30
CIRCUITO SPCINE - BIBLIO. ROBERTO SANTOS27/10/17
CINESALA                                31/10/17 - 19:45
 
 Canção de granito
Assista ao trailer
O representante de Irlanda para o Oscar de melhor filme em língua estrangeira do próximo ano, Canção de Granito, é uma biografia pouco convencional de Joe Heaney (1919-1984), que ficou conhecido por cantar música irlandesa tradicional, a Sean-nós, que significa “estilo antigo”. O filme do diretor Pat Collins é melancólico e nostálgico, capaz de retratar não apenas a vida do seu protagonista, mas também do país onde ele viveu.
Nesse sentido, Canção de Granito é quase uma investigação da identidade nacional dos irlandeses. Transitando entre a vida pessoal de Heaney, desde a infância até a maturidade, e a paisagem natural da Irlanda, o diretor tenta compreender as relações mais profundas entre esses dois planos. A fotografia em preto e branco de Richard Kendrick faz os múltiplos momentos da vida do biografado parecerem coisa de um passado perdido e distante – o que não quer dizer inócuo, mas traz uma sensação de um tempo que já passou.
Há algo de Terence Davies aqui, especialmente de sua trilogia que acompanha a vida de um personagem da infância à morte. O filme irlandês faz mais ou menos o mesmo caminho e usa um tom bem parecido de evocação de um passado, de uma vida árdua e de luta diante das adversidades. A passagem do tempo na narrativa se faz de maneira sutil, acompanhando a evolução do talento do protagonista.
A paisagem pitoresca da Irlanda é mais do que um cenário para os dramas da vida difícil de Heaney. Assim como as músicas que ele canta – o cantor e ator Mícheál Ó Confhaola que faz o biografado na maturidade, também interpreta as canções –, que retratam a árdua jornada do povo irlandês. Colins busca constantemente um diálogo entre o passado e o presente – e, num certo momento, isso acontece de forma até literal – que reverbera de maneira ampla no retrato de uma nação inteira tentando sedimentar um presente a partir de um passado de extrema dificuldade e exploração. (Alysson Oliveira)
 
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 - 26/10/17 - 21:30
INSTITUTO MOREIRA SALLES – PAULISTA - 27/10/17 - 18:00
CIRCUITO SPCINE PAULO EMILIO - CCSP - 28/10/17 - 19:00
 
 Além
O diretor e roteirista turco Onur Saylak faz sua estreia na direção de longas com Além, sobre traficantes de seres humanos que lucram com a travessia de refugiados sírios para a Europa, utilizando a costa da Turquia. Para os refugiados, que abandonam tudo para tentar a sorte na Europa, a sobrevivência, após a baldeação temporária no litoral turco, nem sempre é garantida. Explorados pelos atravessadores, são alojados em esconderijos em condições degradantes à espera de um novo destino, igualmente perigoso.
O filme explora paralelamente a difícil relação entre um dos chefes do tráfico, Ahad (Ahmet Mümtaz Taylan), que transporta os refugiados em caminhões, e seu filho adolescente, Gaza (Hayat Van Eck), que o ajuda a manter o negócio, limpando o alojamento subterrâneo, preparando sanduíches para os sírios e cuidando da vigilância do local. Gaza quer sair dali e retomar os estudos, após ter sido aprovado em uma prova de seleção para uma escola na capital. Mas o pai não permite e o intimida a ficar com surras violentas.
Com narração econômica, o filme mantém o foco no rapaz e na transformação pela qual passará naquele ambiente opressivo. De um lado acompanha o sofrimento dos refugiados, mas acaba adquirindo uma couraça que o encorajará a enfrentar o pai. Filme forte e denso, Além não deixa de escancarar as feridas abertas pela rede  europeia de traficantes de seres humanos, que explora o drama dos refugiados. (Luiz Vita)
 
CINESALA - 26/10/2017- 20:00
PLAYARTE SPLENDOR PAULISTA - 31/10/2017 - 14:00
 
 As boas maneiras
Grande vencedor do mais recente Festival do Rio, além de um prêmio em Locarno, o novo trabalho da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra (Trabalhar Cansa) é um passo mais seguro na composição de um filme de gênero, no caso, o terror.
Clara (Isabél Zuaa) é uma ex-enfermeira que procura emprego como babá na casa de uma mulher, Ana (Marjorie Estiano), que está no final da gravidez. O clima de estranheza se estabelece aos poucos, quando fica evidente para Clara que sua patroa é afetada por fenômenos estranhos em noites de lua cheia. A história se desenvolve num crescendo de tensão, infiltrada de humor negro, neste acompanhamento do relacionamento entre as duas mulheres, até o nascimento da criança. Neste segmento, está o melhor do filme, que tem uma espécie de recomeço depois do surgimento da criança, que é afetado por alguns excessos anticlimáticos.
De toda forma, é um trabalho muito interessante na carreira de dois diretores que vale a pena seguir. (Neusa Barbosa)  
 
CINESESC                                26/10/17 - 21:20
RESERVA CULTURAL - SALA 2               27/10/17 - 18:00
CINEMATECA - SALA BNDES                 29/10/17 - 18:30

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