Olhar de Cinema 2019

Filme sobre Eduardo Coutinho ilumina abertura do Olhar de Cinema

Neusa Barbosa, de Curitiba

CuritibaO 8o. Olhar de Cinema começou nesta quarta (5) com um olho no passado - glorioso -, outro no presente  turbulento, mas com esperanças para o futuro. O passado glorioso veio sob a forma da presença luminosa do documentarista Eduardo Coutinho (1933-2014), o personagem por trás do documentário Banquete Coutinho, longa de estreia de Josafá Veloso que fez sua estreia mundia abrindo o festival.
 
Um dos diretores do Olhar, Antonio Junior, mesmo reconhecendo as extremas dificuldades do momento atual para a produção de cultura, inclusive para os festivais, comemorou o crescimento desta edição, que ficou maior, acrescentando uma mostra, a Olhares Brasil, ao seu cardápio, atingindo, portanto, a marca de dez mostras dentro do evento. Portanto, a disposição guerreira dos produtores de cultura ficou assinalada.

Curta surpresa

Antecedendo o longa, foi exibido um curta-surpresa, O Cinema segundo Luiz Rô, de Renato Coelho, que celebrou outra lembrança, esta do diretor Luiz Rosemberg Filho, que morreu em maio. Nele, Rosemberg pontifica sobre seu apego ao “cinema-gozo”, ao cinema como “gesto afetivo”, como uma forma de sentir que se está vivo. Uma poética manifestação de fé na arte.
 
Intercalando imagens de vários filmes de Coutinho, como Cabra Marcado para Morrer, Santo Forte, Edifício Master, Jogo de Cena, Moscou e até do curta de formatura do diretor no IDHEC francês, Banquete Coutinho trouxe de volta algo do maior documentarista brasileira, morto há 5 anos.
 
Resistindo às investidas do entrevistador - que insiste em formular uma tese de que todos os filmes de Coutinho seriam, na verdade, um único filme, retomado muitas vezes -, Coutinho se coloca diante da câmera com a total consciência de que esta postura o transforma, automaticamente, num personagem de si mesmo.
 
Com a habitual sinceridade e uma ironia sempre revestida de um humor melancólico, Coutinho dá o melhor de si em comentários sobre o próprio trabalho e sobre atitudes - com a necessidade de fé até para ser ateu, o que ele não tinha - e responde sobre trivialidades, como quando começou a fumar, uma de suas marcas mais registradas. Até aí, ele destaca a importância do gesto, ele que, em seus filmes, sobre valorizar cada um deles em seus entrevistados.

Banquete Coutinho é, portanto, uma forma de matar a saudade deste cineasta essencial que ele foi, servindo para manter vivo um legado a ser sempre revisitado. Dá vontade de sair correndo e rever todos os seus filmes. A falta que ele nos faz.

Atrações de hoje

Festival que celebra clássicos e descobertas, o Olhar apresenta em sua programaçãol desta quinta (6) joias raras como uma exibição em tela grande de Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly, e o lançamento do documentário A Mulher da Luz Própria, em que Sinai Sganzerla apresenta grandes momentos de Helena Ignez, sua mãe, uma das maiores atrizes de todos os tempos  do cinema brasileiro.

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