Detetive

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País


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Crítica Cineweb

11/02/2004

Produzido em 1985, mesmo ano de Je Vous Salue Marie, Detetive, de Jean-Luc Godard, é um filme até bem comportado para os padrões do diretor, longe das provocações e das ousadias dos primeiros trabalhos dos anos 1960, mas com novidades, como a inclusão de som estereofônico, bem utilizado na exuberante trilha sonora com peças de Schubert, Wagner, Chopin, Liszt e do jazzista Ornette Coleman. Como foi concebida, a música marca as mudanças de textura das imagens e funciona quase como um personagem.

Godard brinca com alguns elementos do cinema noir e monta um verdadeiro quebra-cabeças envolvendo a investigação de um crime ocorrido dois anos antes num luxuoso hotel de Paris. As investigações estão a cargo de William Prospero, um ex-detetive do hotel, que não se conforma por não ter conseguido identificar o assassino de um personagem chamado Príncipe. Ele é auxiliado pelo sobrinho, o policial Neveau (Jean-Pierre Léaud) e sua namorada, Ariel (Aurele Doazan). O velho detetive acredita que o assassino voltará ao local do crime. Por isso instalou uma câmera e acompanha toda a movimentação na rua em frente ao hotel.

Numa trama paralela, vários hóspedes são apresentados e algo indica que passarão a receber as atenções dos investigadores. Um velho mafioso, chamado por seus capangas de Príncipe (coincidentemente o mesmo nome do personagem assassinado no passado) está interessado nas ações do piloto Emile (Claude Brasseur), que chegou para cobrar uma dívida de Jim Fox-Warner (Johnny Hallyday), empresário de um pugilista que vai lutar nos próximos dias e também está no hotel. Quem parece estar ainda mais interessada no dinheiro de Jim é Françoise (Nathalie Baye), a bela mulher de Emile. Ela quer sua parte para abrir uma livraria. Disfarçado como maitre do restaurante do hotel, o atrapalhado Neveau não perde cada movimento desses hóspedes e ouve fragmentos de conversa que não permitem saber ao certo o que se passa.

Um detalhe comum a cada personagem é seu apego aos livros. As citações literárias são freqüentes, como é comum nos filmes de Godard. William Prospero (o próprio nome remete ao personagem de A Tempestade), mergulha na obra de Shakespeare. Jim não tira do bolso uma edição de Lord Jim, de Joseph Conrad, mas não consegue avançar na leitura, recomendada por sua mãe. Sempre que se dispõe a ler, é interrompido pela chegada de um interlocutor. Françoise lê no restaurante, na cama, e empilha seus volumes na mesa de cabeceira.

Françoise e Jim, apesar da disputa pelo dinheiro, se aproximam mais do que deveriam. Infeliz no casamento, com o marido sempre ausente por causa das freqüentes viagens como piloto, Françoise acaba se envolvendo com o homem que lhe deve dinheiro. Ele próprio se desinteressa da luta que está organizando e pensa em ficar com mulher. Mas nem tudo está ainda decidido e é nesse ponto que a trama policial pode trazer reviravoltas.

Luiz Vita


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