Madrugada dos Mortos

Ficha técnica

  • Nome: Madrugada dos Mortos
  • Nome Original: Dawn of the Dead
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2003
  • Gênero: Terror
  • Duração: 100 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/04/2004

Sem dúvida, o terror é o patinho feio da cinematografia mundial. E, em certo sentido, merece essa classificação. Assim, nada mais natural que a crítica especializada torça o nariz para o gênero, cuja fórmula tem sido freqüentemente denegrida pela imitação, pela violência grosseira e pela completa falta de significado. O que importa é o grotesco com a única intenção de explorar o gosto do público pelo fantástico.

No entanto, um caminho tão perigoso quanto pagar para ver grande parte desses filmes é o da generalização. Para cada jóia clássica do gênero, existe uma dezenas de nulidades narrativas e artísticas que não podem ser colocadas no mesmo saco. O Fantasma da Ópera (1925), Nosferatu (1922), O Médico e o Monstro (1931) são apenas amostras de que existe qualidade e provam que muitas vezes o que falta é repertório para uma análise mais profunda.

Um dos diretores mais injustiçados nesse meio é o enigmático George A. Romero. Sua "trilogia" sobre os mortos, A Noite dos Mortos-Vivos (1968), O Amanhecer dos Mortos Vivos (1978) e O Dia dos Mortos Vivos (1985), deram valor ao gênero, deixando suas criaturas desenhadas no imaginário popular. Sua primeira obra é um dos ícones do terror, invocada por muitos fãs como referência na comparação de centenas de obras de tema similar, mas de pobre execução, como por exemplo, Extermínio (2003).

Desta forma, não deixa de ser ambiciosa e arriscada a tentativa do diretor novato Zack Snyder, cujos trabalhos anteriores não passam de comerciais, produzir um remake de Dawn of the Dead, aqui traduzido como Madrugada dos Mortos. Ainda mais se for colocada a questão das temíveis adaptações no roteiro, que geralmente distorcem a história e maculam a idéia principal do filme.

Já nas primeiras cenas da obra de Snyder, conhecemos Ana (Sarah Polley) uma bela enfermeira que, igual ao resto da cidade, um dia descobre em pânico que uma praga de mortos-vivos está dizimando a população. Logo depois de perder o marido e a filha, foge pelas ruas caóticas e encontra um grupo de sobreviventes tentando se esconder de tal ameaça. Afinal, com uma mordida qualquer um pode se tornar um zumbi, figura que Romero universalizou.

Apavorado, o grupo encontra abrigo em um shopping center, que oferece segurança e provisões para a espera do resgate. E é pelas televisões à venda nesse centro comercial que eles irão se inteirar da destruição completa da civilização e do avanço dos mortos-vivos. Resta saber como farão para conter a ameaça, cada vez mais próxima, e se realmente há como fugir dela.

De fato, as únicas similaridades com a obra de Romero são a invasão zumbi e a presença de um grande shopping center como temporária fortaleza dos fugitivos. Porém, enquanto o filme de 1978 empregava esses elementos para fazer um desconcertante comentário sobre uma sociedade vencida pelo consumismo, sua moderna adaptação se limita a ser uma simples produção de terror e ação.

Essa diferença já poderia indicar um estrondoso fracasso nos cinemas. Até porque os fãs do gênero já não têm ilusões a respeito das novas produções norte-americanas. Praticamente, os últimos bons produtos do gênero provêm da Europa e até do Japão, que trouxe ao ocidente o excepcional Ringu, que mais tarde foi adaptado pelos norte-americanos (O Chamado).

Mas seria falso passar que o filme é apenas uma cópia mal elaborada de Romero. Mais falso ainda seria dizer que Madrugada dos Mortos não foi um sucesso nos EUA, desbancando até o todo-poderoso Paixão de Cristo do primeiro lugar nas bilheterias. Isso pode ser justificado pelo impecável acabamento técnico dado pelo diretor, que mostra um agudo sentido visual, com o qual consegue aplicar o máximo de impacto às inúmeras cenas de ação. Os excelentes efeitos especiais - que misturam plenamente os aspectos digitais e cenográficos - são as grandes surpresas do filme, ao lado de um talento estético pouco visto em produções do gênero.

Os apreciadores de filmes considerados trash, cujos baluartes podem ser considerados Ed Wood e o italiano Tom Savini, são os que realmente poderão apreciar uma destruição de crânios e exposição de vísceras com uma credulidade que torna por si só o filme um clássico. Os demais detalhes, entre uma ou outra boa piada, são desnecessários para quem está acostumado a filmes de terror.

Sem dúvida, Madrugada dos Mortos é superior a Dawn of the Dead. Mas apenas tecnicamente. Romero criou uma obra muito mais elevada, até para quem gosta do grotesco. O cinismo, a crítica e a própria idéia fatalista da civilização não podem ser descolados de sua obra, apesar de soar absurdo. Essas características não foram levadas à tela de Snyder, cuja mensagem e idéias tornam-se insossas, oferecendo uma vazia emoção e suspense, sem procurar por transcendência ou relevância. Mesmo assim, ter sido bem realizada é um atrativo mais do que suficiente para pagar o ingresso.

Rodrigo Zavala


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