O Chamado

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Crítica Cineweb

29/01/2003

Seguindo o ritmo de uma epidemia, que gradativamente se instala num corpo e contamina por dentro, gota a gota, a história supera a presença de uma verdadeira muralha de clichês - que, a bem da verdade, o gênero até certo ponto impõe. Há inegáveis qualidades neste trabalho do diretor Gore Verbinski, que não tinha nada de muito edificante a seu crédito antes - eram só o medíocre A Mexicana e o engraçadinho Um Ratinho Encrenqueiro.

A partir daqui, Verbinski desperta esperanças. Quem sabe este não é um gênero em que ele pode render mais? Verdade que ele partiu de material preexistente, refilmando um sucesso japonês, Ringu, de Hideo Nakata (97), baseado em livro de Koji Suzuki, que já teve uma uma seqüência e uma prequel no Japão. Depois de uma bilheteria de US$ 100 milhões nos EUA, a DreamWorks também já anunciou pelo menos uma continuação.

O mote da história é bem simples: depois de assistir a uma fita de vídeo, as pessoas recebem um aviso pelo telefone, de que morrerão em sete dias. Nunca falha. Com toda a cara de lenda urbana, a praga começa a se espalhar, deixando no seu rastro jovens terrivelmente desfigurados, vítimas de morte súbita e inexplicada, ou suicídios causados pelo pânico da contagem regressiva dos dias. A jornalista Rachel (Naomi Watts) não sossega enquanto não pega um exemplar da fita, especialmente porque sua sobrinha morreu aparentemente na esteira desse fenômeno.

Protagonista de Cidade dos Sonhos, Naomi está aqui também aprisionada num pesadelo como os engendrados por David Lynch. Especialmente depois que descobre que seu filho, um garoto de 12 anos (David Dorfman), também assistiu ao filme - uma coleção de imagens sinistras e enigmáticas. Progressivamente convencida de que a ameaça contida nessas imagens é muito mais do que uma lenda, a jornalista encontra pistas para decifrá-las em velhos artigos de jornal sobre o suicídio de uma campeã de equitação.

Nos melhores filmes de suspense, o sinal de que a história funciona vem da sufocante sensação de que os protagonistas estão aprisionados num círculo. Para isso, todas as pistas jogadas a esmo, a princípio, vão encontrando explicações. O sobrenatural até se infiltra na trama mas não predomina demais - portanto, a história não perde de vista a plausibilidade. Assim, o filme se dá bem onde falha A Bruxa de Blair - encontrar um fio condutor, explicar as próprias pistas e não decepcionar no final. Há algumas visões da jornalista e pelo menos uma personagem secundária que permanecem misteriosas, mas isso não compromete.

Neusa Barbosa


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