O Massacre da Serra Elétrica

Ficha técnica


País


Sinopse

Remake do clássico de horror dos anos 70. Um maníaco mata e desmembra pessoas usando uma serra elétrica. Um grupo de jovens serão suas próximas vítimas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/02/2005

Não faltam adjetivos pouco modestos para descrever um dos mais celebrados filmes de terror da história do cinema. Mais de que um clássico, O Massacre da Serra Elétrica (1973), de Tobe Hooper, sempre foi considerado um marco do gênero, deixando para trás diretores como George Romero (com sua trilogia dos mortos-vivos), John Boorman (Amargo Pesadelo, 1972) e Wes Craven (Aniversário Macabro, 1972).

Nenhum de seus colegas conseguiu deixar um personagem tão presente no imaginário popular quanto Hooper: Leatherface, o psicopata que matava suas vítimas com a serra elétrica. O sucesso dessa figura monstruosa não se baseava apenas no incontável número de jovens que assassinou, mas no prazer claramente obsceno em que destrinchava cada um dos corpos. Basta ver que usava pedaços da pele de suas vítimas para reconstruir seu rosto deformado. Apesar de tudo parecer claramente doentio, tornou-se cult.

A explicação para esse sucesso pode ser indicada em dois pontos fundamentais. Sem dúvida, o primeiro é o claro talento de Hooper, que não apenas dirigiu o filme, mas assinou o roteiro. Seu experimentalismo cinematográfico criou uma atmosfera que até então não se conhecia no gênero e chocou o público com imagens macabras, logo no início do filme. As cenas de um cemitério violado, o jogo de cores e a trilha sonora incidental aterrorizaram o espectador e impulsionaram a carreira do então jovem diretor.

Em segundo lugar, cabe também (até em maior grau) o apelo comercial da produção, que foi vendida como “baseada em fatos verídicos”. Essa informação adicional fez uma produção de 140 mil dólares faturar milhões em bilheteria, provando que o público acredita em tudo o que quer. De fato, a história está vagamente baseada no legendário Ed Gein, que na década de 50 sacudiu o sul dos Estados Unidos com seus perversos crimes e seu horrível talento em criar "obras de arte" a partir de ossos e pele humana. Mas soa ingênuo fazer comparações.

Assim, não houve qualquer surpresa quando o próprio Hooper anunciou a refilmagem de seu clássico. Refez o roteiro (já que o original era confuso e irregular) e chamou o iniciante Marcus Nispel para dirigi-lo. Este talvez tenha sido o seu maior erro, já que o novo diretor apenas tem créditos em DVDs musicais. (Janet Jackson, Cher e Faith No More), sem qualquer relação com cinema ou televisão.

Mesmo com as mudanças na história, a trama é simples: em 1973, cinco jovens estão na estrada a caminho de Dallas, para ver o show da banda Lynyrd Skynyrd (no original, eles vão à casa de campo onde um dos jovens morava na infância). No caminho, recolhem uma perturbada garota que os fará entrar em contato com uma série de personagens dementes, cuja violência e perversão extrapolam os limites do que se pode considerar humano.

O grotesco e o escatológico são apenas as peças principais para a continuação desta história, seja no original, seja na sua refilmagem. Comparar os dois torna-se um erro grosseiro, a não ser quando falamos de uma peculiaridade: em ambas as produções, o vilão importa mais do que as vítimas.

Analisado separadamente, o novo Massacre da Serra Elétrica é apenas um sanguinolento filme de terror, em que as caracterizações são pouco verossímeis e as atuações pouco convincentes (aliás, nem no primeiro eram, para ser honesto). Mesmo o Leatherface carece de impacto, apesar de sua histérica presença e seus ensurdecedores ataques com a serra elétrica (na verdade, uma moto-serra).

Tudo, enfim, parece absurdo. Muito embora, haja duas qualidades que devem ser colocadas no saldo final. A primeira é o excelente trabalho de maquiagem, que traz uma desconcertante veracidade às cenas de mutilação. A segunda é o trabalho de Jessica Biel. Longe de ser uma boa atriz, ela demonstra uma dedicação sem limites ao papel. Afinal, é preciso ter coragem e valor para protagonizar as mais estúpidas e desagradáveis cenas de perseguição – intermináveis, como no primeiro. Um comprometimento comovente.

Tobe Hooper já está produzindo a continuação – ainda sem título – para esta refilmagem. Espera-se, no entanto, que não cometa dois erros: o de chamar Nispel para dirigir o filme e não usar o roteiro de O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986), um fiasco que só trouxe má reputação ao gênero do terror.

Rodrigo Zavala


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